Angel Corbera Mori
(IEL/Unicamp)
Nesta comunicação tecemos uma breve comparação da nasalidade de vogais nas línguas waurá e mehináku (família Arawák), faladas por dois povos que habitam o Alto Xingu, no Parque Nacional do Xingu. Nessas línguas, as vogais recebem dois tipos de nasalidade, que, com base no trabalho inicial de Jackson e Richards (1966), chamaremos de a) 'nasalidade fraca' e b) 'nasalidade forte'. No primeiro caso, a nasalidade das vogais resulta da contaminação das consoantes nasais primárias, como em:
| (a) | Waurá: ʔãˈnãʔ nũtaˈiʔ mãˈkulaʔ |
Mehináku: ˈãnã nũˈtai mãˈkula |
Glosa: 'pilão' 'corda' 'panela de barro' |
No segundo tipo, a nasalidade seria uma característica inerente das vogais, pois não se registram consoantes nasais para se assumir que elas sejam as engatilhadoras do processo de nasalidade, como em:
| (b) | Waurá: pi-kiˈʦĩ ˈũũtai ˈʧɛ̃hé̃ |
Glosa: 'teu teto' 'lagartija' 'faca' |
Mehináku: ˈwãjũ ˈé̃ⁿtai iˈɾã |
Glosa: 'chocalho' 'arco' 'pau seco' |
Em casos do tipo (a) a nasalidade é previsível, pois a vogais ocorrem contiguas as consoantes nasais. Já nos exemplos em (b), vê-se que a nasalidade independe da presença das consoantes nasais. Na base de dados como os citados, na presente comunicação pomos em questão o tratamento fonético e funcional da nasalidade das vogais em waurá e mehináku.
(Workshop da Área de Línguas Indígenas da PG do IEL/Unicamp, 12 e 13 de novembro de 2009)