Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

A transcrição dos 1049 verbetes contidos no segundo volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em janeiro de 2019. O volume inclui, ainda, 58 acréscimos (novas edições, reimpressões, etc.) referentes a items incluídos no primeiro volume.


WIESEMANN, Ursula

Ao estudar a organização em metades exógamas patrilineares dêsses índios (cf. Baldus: Das Dualsystem der Kaingang-Indianer, B. C. 1827) surgiu o problema dos casamentos com indivíduos não nascidos na tribo e da eventual classificação destes segundo a ordem matrimonial. Seriam os filhos de pai não kaingang com índia kaingang incorporados naquele sistema e como? Não tendo tido eu pessoalmente ensejo de resolver a questão, pedi à autora do presente artigo, membro do Summer Institute of Linguistics e muito familiarizada com os Kaingang e seu idioma, a tratar do assunto. Colheu ela dados a respeito nos Postos Indígenas Interventor Manuel Ribas (E. do Paraná) e Guarita (E. do Rio Grande do Sul). Encontrou três casos em que os filhos de tais matrimônios pertencem à metade oposta à da mãe e três casos em que os filhos de pai kaingang com mulher não kaingang pertencem à metade do pai. Num casal sem filhos, o marido guarani pertencia à metade oposta à de sua mulher kaingang. A autora chega à seguinte conclusão: "A non-Kaingáng married to a Kaingáng is usually classed according to the moiety he would belong to under ideal circumstances (the opposite of his marriage partner's), and the children belong to the moiety their father belongs to if he is a Kaingáng Indian or would have belonged to under ideal circumstances if he is a non-Kaingáng." (p. 317).


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WIESEMANN, Ursula

  • Phonological Syllables and Words in Kaingáng. Völkerkundliche Abhandlungen, I: Beiträge zur Völkerkunde Südamerikas, Hannover 1964, pp. 307-313.

Os dados para esta importante análise lingüística foram colhidos, pela autora, de setembro de 1958 a abril de 1959 no Pôsto Indígena Interventor Manuel Ribas, no Estado do Paraná, "where the Paraná dialect of Kaingáng is spoken" (p. 307).


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WILBERT, Johannes [1927-]

  • Problemática de algunos métodos de pesca de los índios suramericanos. Memoria de la Sociedad de Ciencias Naturales La Salle, XV, n. 41, Caracas 1955, pp.114-131, 7 figuras no texto. Bibliografia.

Etuda a pesca com animais auxiliares, com a "estaca de pesca" e com o instrumento em forma de cone truncado, feito de varinhas ponteagudas e aberto em cima e em baixo, que no Maranhão chamam de socó (cf. Baldus: Aquisição do sustento entre os índios do Brasil, Sociologia X, São Paulo 1948, p. 293). Segundo o autor, só o último dêstes três métodos existe em tribos brasileiras, tendo chegado à América do Sul com escravos provindos das regiões do Congo. O socó é assentado de súbito no fundo de água raza, de modo que o peixe fica prêso entre as varinhas, sendo a seguir retirado com a mão pela abertura superior.


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WILBERT, Johannes

  • Índice de las tribus sudamericanas. Antropológica, n. 2, Caracas 1957, pp. 1-25.

Lista alfabética dos nomes de tribos contidos nos quatro primeiros volumes do Handbook of South American Indians. Foi omitido Tapirapé.


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WILBERT, Johannes

  • A Preliminary Glottochronology of Ge. Anthropological Linguistics, IV, n. 2, 1962, pp. 17-25, 1 tabela, 1 gráfico e 1 mapa no texto. Bibliografia.

Neste importante ensaio de classificação lingüística, baseado em 37 fontes, o autor divide o "Ge stock" em 15 línguas agrupadas em 3 famílias, a saber: "I. Acroa Family ― 1. Acroa, 2. Shacriaba, 3. Acwe, 4. Shavante, 5. Sherente; II. Cayapo Family ― 6. Cayapo, 7. Suya; III. Apinaye Family ― 8. Apinaye, 9. Coroa (Gradaho), 10. Craho, 11. Canela, 12. Ramcocamecra, 13. Apanyecra, 14. Creye, 15. Pucobye." (p. 19).
Chega à seguinte conclusão: "It is apparent that the distribution of the different languages according to their internai divergence corresponds to a surprising degree to the geographical distribution of their speakers and, consequently, also to classifications made on the basis of geographical propinquity and cultural resemblance. This coincidence, then, indicates that our glottochronological result seems more to confirm previous classifications than to reveal new distributional evidence. But it certainly also provides considerable support for the likelihood of correctness of our glottochronological computation." (p. 24).


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WILBERT, Johannes

  • Indios de la región Orinoco-Ventuari. Caracas 1963. 265 pp. in-16°, 1 gráfico e 7 mapas no texto, 50 pranchas e 3 mapas fora do texto. Bibliografia.

Êste livro sôbre as pesquisas realizadas pelo autor, em 1957 e 1958, entre várias tribos venezuelanas, contém um capítulo acêrca dos Sanemá, subtribo dos "Yanoama", que trata também dêstes últimos em geral, dizendo: "…consideraremos a los Yanoama como una tribu no tanto en el sentido político-social, cuanto en el lingüístico-cultural, puesto que los Yanoama, en general representan una cultura específica integrada por varias subculturas propias de las diversas subtribus que habitan en un territorio coherente, que hablan lenguas estrechamente emparentadas, y poseen formas esencialmente similares en lo económico y sociológico. Cada subtribu está compuesta por cierto número de grupos locales que formam una banda de famílias extensivas y que aportan las características peculiares del grupo a que pertenecen, enriqueciendo así el patrimonio cultural de la subtribu. De esta forma conocemos como subtribus de los Yanoama a los Casapare, Sanemá, Waica y Samatari, mientras que los Pakidai y Surara parecen representar dos grupos locales de los Samatari o de una subtribu cujo nombre ignoramos." (pp. 177 e 179). Como se vê, os "Yanoama" são, em parte, habitantes do território brasileiro.
Cf. o comentário de Carrol L. Riley em American Anthropologist, LXVI, n. 1, Menasha 1964, pp. 174-176.


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WILBERT, Johannes

  • Material lingüístico ye. Instituto Caribe de Antropología y Sociología, Monografías 10. Caracas 1964, 305 pp. in-16°, 1 mapa no texto, 1 gráfico fora do texto. Bibliografia.

O autor dêste útil trabalho comparativo sôbre a grande família lingüística Gê extraiu 10.231 palavras de 37 fontes, aparecidas entre 1852 e 1958, a fim de coordená-las num vocabulário alfabético espanhol-gê. Remata o livro com um ensaio preliminar glotocronológico (pp. 275-279).


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WUSTMANN, Erich

  • Weiter Weg in Tropenglut. Radebeul 1958. 267 pp. in-8°, 183 figuras no texto.

Esta narração de viagem de um cinematografista contém ligeiras referências aos Akuê-Chavante, Karajá e Krahó.


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WUSTMANN, Erich

  • Crao. Indianer der roten Berge. Radebeul 1958. 177 pp., 116 figuras em pranchas no texto.

O autor descreve as impressões que teve durante a visita a uma aldeia krahó. Apesar de declarar que "o presente livro não pretende ser um trabalho científico" (p. 5), aborda constantemente problemas dêste caráter, intitulando um capítulo "O culto de clã ou totem" ("Der Clan- oder Totemkult") (p. 51) e falando num outro da aplicação de questionário a fim de "podermos fazer comparações etnológicas" (p. 147). Ao lado de observações boas pululam interpretações e afirmações errôneas e generalizações injustificáveis. O que de melhor contém o livro são as numerosas fotografias, algumas em côres, que dão realmente preciosas informações acêrca dêstes Timbira orientais estudados por Harald Schultz em 1947.
Cf. o comentário de Harald Schultz na Revista do Museu Paulista, N. S., XI, São Paulo 1959, pp. 284-285.


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WUSTMANN, Erich

  • Xingú, Paradies ohne Frieden. Radebeul 1959, 236 pp. in-8°, 140 figuras (das quais 32 coloridas) em pranchas no texto.

Em 1958, o autor passou cêrca de três meses entre os índios da região dos formadores do Xingu, a fim de filmá-los e gravar os seus cantos. No presente livro descreve as impressões tidas no convívio com os Kamaiurá. Ao lado de certas inexatidões não faltam boas observações. Lida com a devida cautela, a obra tem utilidade para o estudo daqueles Tupi, contribuindo para isso também as ótimas fotografias de numerosos aspectos da vida tribal.
Menciona, ainda, ligeiramente, os Kuikúro, Trumai, Auetí, Mehináko, Waurá e Yawalapití. Pequena lista de vocábulos kamaiurá (p. 235) encerra o trabalho.
Cf. o comentário de Herbert Baldus na Revista do Museu Paulista, N. S., XII, São Paulo 1960, pp. 357-358.


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WUSTMANN, Erich

  • Karajá. Indianer vom Rio Araguaia. Radebeul 1959. 168 pp., 96 figuras em pranchas no texto.

O autor visitou êsses índios para filmá-los e gravar cantos. Conta o que viu e ouviu por ocasião de sua estada na aldeia de Santa Isabel. Para poder distinguir de suas observações aquilo que merece confiança, é preciso conhecer o assunto. Reproduz, sem comentários, uma referência aos Tapirapé chamando a êstes pacíficos o sedentários Tupí de "um povo bravio" ("ein wildes Volk) e elucidando isso com a frase seguinte: "Então somem, reaparecem de repente, põem fogo a uma fazenda, quebram algumas cabeças e desaparecem de novo." ("Dann verschwinden sie, tauchen plötzlich wieder auf, zünden eine Fazenda an, schlagen einige Kõpfe ein und sind wieder weg.") p. 104).


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WUSTMANN, Ingrid

  • Zur Bedeutung und Verwendung des indianischen Farbstoffs Urucú. Prefácio de Eva Lips. Völkerkundliche Abhandlungen, I: Beiträge zur Völkerkunde Südamerikas, Hannover 1964, pp. 329-351, 2 mapas no texto. Bibliografia.

Trata da classificação botânica e da distribuição geográfica do urucuzeiro, do preparo e uso da matéria corante obtida dêle entre os índios sul-americanos, das referências mitológicas a esta, do comércio intertribal com ela e, especialmente, da sua significação sobrenatural.


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YDE, Jens

  • Waiwai-Indianerne. Fra Nationalmuseets Arbejdsmark. København 1956, pp. 41-51, 6 figuras no texto (p. 51: sumário em inglês).

Ligeiras notas sôbre os Waiwai visitados em 1954 e 1955 pelo autor. Segundo êle, cêrca de setenta indivíduos desta tribo karaíb de lavradores moram nas cabeceiras do Essequibo, na Guiana Inglêsa, e cêrca de cem no alto Mapuera, Brasil.


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YDE, Jens

  • Resist-dyed bark costumes of the Waiwai Indians. Folk, l, København 1959, pp. 59-66, 3 figuras no texto. Bibliografia.

Tratando da pintura do corpo e do rosto dêstes Karaíb, o autor observa que o corpo inteiro é pintado de vermelho como medida de proteção, "as the evil bush spirits are not able to distinguish red objects." (p. 59). Acrescenta que, pela mesma razão, os cães e, especialmente, os de caça, são pintados completamente de vermelho. Diferente, porém, é a explicação da função do vermelho pintado no rosto: no dizer dos Waiwai, "it is put on for purely decorative purposes, to make people look nice." (p. 60).
A parte principal do presente trabalho é a descrição do fabrico da capa de entrecasca usada pelos homens em certa dança religiosa e do processo especial de tingi-la com padrões meândricos.


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YDE, Jens

  • Agriculture and Division of Work among the Waiwái. Folk, II, København 1960, pp. 83-97, 7 figuras no texto, Bibliografia.

Depois de referir-se à recente mudança dos Waiwái do Brasil para o norte, atraídos pelos missionários estabelecidos na Guiana Inglêsa, o autor enumera as plantas úteis dessa tribo, em inglês e na língua indígena. Seguem-se interessantes observações sôbre a lavoura dos Waiwái a qual se distingue da dos seus vizinhos amazônicos pela divisão do trabalho entre os sexos. Resume o autor a classificação da lavoura indígena sul-americana feita por Gudmund Hatt em dois tipos: a "Semi-Agriculture" na qual os homens só fazem a derruba e queimada, deixando tôdas as outras tarefas para as mulheres; a "Full Agriculture" na qual os homens executam quase todos os trabalhos, embora possam ser ajudados, ocasionalmente, pelas mulheres. Dêste último tipo, principalmente difundido entre os agricultores adiantados da região andina, se aproximam os Waiwái. O autor acrescenta uma lista de tribos sul-americanas nas quais o homem toma parte ativa na lavoura.


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YDE, Jens

  • Britisch-Guiana und Nord-Pará. Akten des 34. Internationalen Amerikanistenkongresses (Wien 1960), Wien 1962, pp. 90-94. Bibliografia. ― Reproduzido em Bulletin of the International Committee on Urgent Anthropological and Ethnological Research, V, Vienna 1962, pp. 112-116. Bibliografia.

Trata do despovoamento do Mapuera, Nhamundá e Trombetas provocado por missionários da "Unevangelized Fields Mission" que atraem os índios dêsses rios para a região do alto Essequibo, levando-os, assim, do Brasil para a Guiana Inglêsa.


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YDE, Jens

  • Material culture of the Waiwái. Nationalmuseets Skrifter, Etnografisk Rœkke, X, Copenhagen 1965, xii, 318 pp. in-8° gr., 134 figuras no texto, 1 mapa fora do texto, resumo em dinamarquês. Bibliografia.

Esta valiosa monografia com que o autor se doutorou na Universidade de Copenhague, descreve as numerosas peças por êle coletadas em visitas àqueles Karaíb, realizadas nos anos de 1954 a 1955 e de 1958 a 1959. Trata, além disso, dos meios de aquisição do sustento, de transporte e habitação. Completa as publicações de Fock (B. C. 2161) e Meggers e Evans (B. C. 2404). Pequeno vocabulário alfabetico waiwái-inglês está às pp. 292-301.
Cf. os comentários de Audrey Butt em Man, I, nº 2, London 1966, p. 271, e de Herbert Baldus na Revista do Museu Paulista, N. S., XVII, São Paulo, 1967, pp. 408-409.


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ZERRIES, Otto 1914—

Estudando o zunidor nas diversas partes da América do Sul, o autor chega à conclusão de estar o centro de sua distribuição geográfica no Brasil Oriental (p. 292). Procura analisar a posição histórico-cultural do zunidor sul-americano, reconhecendo, porém, que esta continuará problemática enquanto novas pesquisas não aumentarem o material a respeito.


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ZERRIES, Otto

  • Kürbisrassel und Kopfgeister in Südamerika. Paideuma V, Heft 6, Bamberg 1953, pp. 323-339, 2 figuras no texto. Bibliografia.

O autor reúne material, principalmente de tribos brasileiras, a fim de demonstrar que o chocalho de cabaça representa, originalmente uma cabeça. Procura, então, encontrar relações entre o maracá e os mitos da cabeça rolante.


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ZERRIES, Otto

  • Krankheitsdämonen und Hilfsgeister des Medizinmannes in Südamerika. Proceedings of the Thirtieth International Congress of Americanists (Cambridge 1952), London s. a. (1954), pp. 162-178. Bibliografia.

Tratando das diversas espécies de demônios e espíritos com que, entre os índios sul-americanos, o médico-feiticeiro tem de entrar em relações amigáveis ou hostis, o autor se refere, freqüentemente, a tribos do Brasil.


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