Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

A transcrição dos 1049 verbetes contidos no segundo volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em janeiro de 2019. O volume inclui, ainda, 58 acréscimos (novas edições, reimpressões, etc.) referentes a items incluídos no primeiro volume.


STRADELLI, Ermanno [1852-1926]

Reproduz, além das versões italianas da lenda do Jurupari (B. C. 1611) e dos Taria (B. C. 1613), um trabalho em português, intitulado Pitiápo: lenda uanana (pp. 67-92), tirado da publicação do mesmo autor que, sob o título Duas lendas amazônicas, saiu, em 1910, em Piacenza. Nêle, o autor põe em versos um episódio que os Uanana (Wanana) narram da conquista do Uaupés pelos Tariana.
O presente volume contém, ainda, um ensaio sôbre o mito do Jurupari, de autoria de Ettore Biocca (p. 7-11).


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STREIFF, Ruth

  • Catalogue des céramiques du Marajó au Musée d'Ethnographie de Genève. Bulletin de la Société suisse des Américanistes, XXX, Genève 1966, pp. 31-42, 34 figuras no texto, resumo em alemão. Bibliografia.

Descreve 28 peças de cerâmica do acervo do Museu Etnográfico de Genebra: 22 marajoaras e 6 de proveniência duvidosa.


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STREIFF, Ruth

  • La collection Urubu (Brésil) du Musée d'Ethnographie de Genève. Bulletin de la Société suisse des Américanistes, n. 31, Genève 1967, pp. 35-54, 1 mapa, 1 gráfico e 22 figuras no texto. Bibliografia.

Ligeiras notas sôbre êsses Tupi, seguidas de um detalhado catálogo de 100 peças de sua cultura material.


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STUDART FILHO, Carlos [1896-]

A primeira parte dêste livro, intitulada "Generalidades" (pp. 21-91), trata de procedência, aspecto físico, classificação lingüística e traços culturais dos índios que habitavam o território do atual Estado do Ceará. Na segunda parte, "Notícias Históricas" (pp. 93-159), é ampliado e aprofundado o estudo sôbre o assunto do artigo publicado pelo autor em 1931 (B. C. 1623), sendo tomadas em consideração publicações saídas depois dêste ano, de autores como Estêvão Pinto, Pompeu Sobrinho e outros. Nesta parte há uma "advertência… especialmente dirigida a Herbert Baldus" (nota 114) em que o autor classifica como "áspero" o meu comentário àquele artigo, isto é, o fato de eu falar em relatar "acontecimentos que, na maior parte, interessam mais ao colecionador de datas históricas do Nordeste do que ao etnólogo." Se definimos etnologia como "a ciência que tem por objeto o estudo da cultura material e espiritual dos chamados povos naturais", como a defini no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguêsa (B. C. 144), encontramos nas "Notas Historicas sobre os indígenas cearenses" menos material para essa disciplina do que para a historiografia. Aliás, José Aurélio Saraiva Câmara, o prefaciador do presente livro, se manifesta em sentido semelhante quando escreve a respeito do autor daquelas "Notas Historicas": "Dando predominância, no tratamento do problema, como se vê do próprio título, ao aspecto histórico, naquele estudo trata da distribuição das tribos indígenas no território cearense, das guerras que a elas moveu o conquistador e das que desenvolveram entre si, das alianças, das reduções, do trabalho heróico da catequese."
A terceira parte (pp. 161-182), intitulada "Os Baiacus", contém a história, desde o século XVII até o século XX, dessa "tribo que maior destaque alcançou, no cenário do Ceará colonial, por sua resistência à dominação lusitana", sendo que os "Baiacus" ou "Paiacus" são hoje chamados "Pacajus" (p. 163).
Em resumo: O valor principal do presente livro consiste na compilação de dados sôbre as relações entre as tribos extintas do território do Ceará e os brancos, dados êsses indispensáveis para o estudo do índio do Brasil Colonial.


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SUMMER INSTITUTE OF LINGUISTICS

  • Morog̃ita. Lendas dos Parintintín. Rio de Janeiro 1966, vi, 112 pp., 7 figuras no texto.

Textos de 18 lendas em parintintin (p. 1-74) seguidos por resumos em português (pp. 77-112).


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SÚSNIK, Branka

  • Estudios chamacoco. Boletín de la Sociedad Científica del Paraguay y del Museum Dr. Andrés Barbero, I, Etnografía No. 1. Asunción 1957. iii, 153 pp. mimeografadas. ― 2da parte. Ibidem, Etnografía 2, Asunción 1957, pp. 1-40, 33 figuras em pranchas fora do texto.

Importante contribuição para o estudo da religião e organização social dos Chamakoko, índios do nordeste do Chaco e vizinhos dos Kadiuéu de Mato Grosso, com os quais tiveram inúmeros contactos de diferentes espécies (cf., por exemplo, Darcy Ribeiro: Religião e mitologia kadiuéu, pp. x e 59, B. C. 1305). Baseando-se em 54 mitos e lendas gravados na língua original, com comentários dados pelos informantes que procediam de diversos grupos locais da subtribo Ebitoso (p. 3), representa êste trabalho um modêlo de pesquisa etnográfica com técnicas modernas.


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SUSNIK, Branka J.

  • Estrutura de la lengua chamacoco-ebitoso. Boletín de la Sociedad Científica del Paraguay y del Museum Andrés Barbero, I, Etnolinguística 1, Asunción 1957, 186 pp. mimeografadas.

Importante trabalho nos moldes da linguística moderna, apresentando, também, informações etnográficas colhidas em 1956.


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SUSNIK, B. J.

  • Material arqueológico del área alto-paraguayense. Boletín de la Sociedad Científica del Paraguay y del Museo Etnográfico, III, Miscelanea 1, Asunción 1959, pp. 81-103, 10 pranchas fora do texto. Bibliografia.

A primeira parte (pp. 81-90) descreve cerâmica kadiuéu.


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SWADESH, Morris

O método léxico-estatístico proposto neste trabalho foi usado por Aryon Dall'Igna Rodrigues na classificação das línguas tupi (Cf. B. C. 2572).
À página 1012 há referências a parentescos remotos do Tupi e Guaikuru com outras línguas.


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SWADESH, Mauricio

  • La lingüística de las regiones entre las civilizaciones mesoamericanas y andinas. Actas del XXXIII Congresso Internacional de Americanistas (San José 1958), I, San José, Costa Rica, 1959, pp. 123-136.

Resume, às páginas 131-136, os resultados de seu método léxico-estatístico (cf. B. C. 2734) no estudo das línguas indígenas americanas, mostrando em diagrama (p. 133) as relações entre elas.


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SWADESH, Mauricio

  • Afinidades de las Lenguas Amerindias. Akten des 34. Internationalen Amerikanistenkongresses (Wien 1960), Wien 1962, pp. 729-738, 8 gráficos no texto, Bibliografia.

Usando a léxico-estatística glotocronológica, o autor agrupa os idiomas indígenas americanos em "redes de afinidades", considerando, também, os do Brasil.


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TAYLOR, John e Audrey

  • Nove contos contados pelos Kaiwás e Guaranis. Revista de Antropologia, XIV, São Paulo 1966, pp. 81-104.

Textos originais com tradução literal de contos contados às crianças pelos Guarani do Pôsto Indígena Francisco Horta, Mato Grosso.


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TENTORI, Tullio

  • South American Ideas of the Other World. Proceedings of the Thirtieth International Congress of Americanists (Cambridge 1952), London s. a. (1954), pp. 199-201.

Estudando as idéias de índios sul-americanos sôbre a viagem dos mortos ao mundo do além, o autor se refere também a tribos brasileiras.


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TERRIBILINI, Mario et Michel

  • Enquête chez les Indiens Makú du Caiari-Uaupès, août 1960. Bulletin de la Société Suisse des Américanistes, XXI, Genève 1961, pp. 2-10, 2 figuras no texto, 2 pranchas fora do texto.

Ligeiras notas. Os autores passaram três semanas numa maloca dêsses índios.


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TEVES, Angelina Cabral de

  • Notas sôbre o estado atual das tribos da região dos formadores do Xingu. Revista Brasiliense, XXXI, São Paulo 1960, pp. 134-164. Bibliografia.

Artigo de divulgação em que a autora nem sempre faz a devida distinção entre o que viu por ocasião de sua visita aos Kamaiurá feita em 1956 e o que tirou dos autores cujos trabalhos examina ràpidamente às páginas 137-140.


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THE SOCIETY FOR RESEARCH OF INDIAN CULTURE

  • Archaeological Investigations in San Paulo, Brazil. Anthropological Papers of the Anthropological Society of Tokyo, B. Prehistory, N° 2. Tokyo 1939, 5 pp. em inglês, 62 pp. em japonês, 58 figuras no texto das quais 4 coloridas.

Trata de pesquisas em sambaquis de Gipobura e Alecrim realizadas em 1937, bem como de escavações feitas em 1928 na Vila Nova de Aliança. Nesta colônia japonêsa do Baixo Tietê foram achados numerosos cacos pintados, aparentemente de proveniência guarani, ao passo que nos sambaquis não se encontrou cerâmica, mas esqueletos humanos e instrumentos de pedra.


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TIBURTIUS, Guilherme, e BIGARELLA, Iris Koehler

  • Nota sôbre os anzóis de osso da jazida páleo-etnográfica de Itacoara, Santa Catarina. Revista do Museu Paulista, N. S., VII, São Paulo 1953, pp. 381-394, 8 figuras em pranchas no texto. Bibliografia.

A respeito daquela jazida situada "às margens do rio Pirá" (p. 382) observam os autores: "…o uso da ornamentação dígito-pulgar empregada em algumas peças de cerâmica, encontradas no local, permite supor tratar-se, possìvelmente, de um antigo aldeamento guaraní". (p. 383).


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TIBURTIUS, Guilherme, e LEPREVOST, Alsedo

  • Nota sôbre a ocurrência de virotes, nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Arquivos de Biologia e Tecnologia, IX, Curitiba 1954, pp. 87-98, 5 figuras no texto, resumo em inglês. Bibliografia.

Descrição duma coleção dessas pontas rombas de flecha das quais 15 são de pedra, 1 de osso e 5 de madeira. Quase todos os virotes líticos aqui mencionados foram encontrados em pinhais (p. 89).


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TIBURTIUS, Guilherme, e LEPREVOST, Alsedo

  • Nota sôbre a ocurrência de machados de pedra, nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Arquivos de Biologia e Tecnologia, VIII, Curitiba 1953, pp. 503-554, 20 figuras no texto, 4 figuras em pranchas fora do texto, resumo em inglês. Bibliografia.

Nesta descrição de diferentes tipos de machados de pedra encontrados tanto nos planaltos como nos sambaquis do litoral daqueles Estados sulinos, interessa ao etnólogo, especialmente, a referência a machados de âncora (p. 537 e fig. 16), pois tais artefatos semilunares são considerados como sendo particulares à cultura de tribos gê (cf. B. C., 1396). Uma peça inteira foi desenterrada junto com uma bola de pedra para funda, em Mato Preto, próximo de São Bento, Santa Catarina. Além daquela peça inteira mencionam os autores dois fragmentos de outros machados de âncora, um achado próximo a Curitiba e outro em Tibagi.


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TIBURTIUS, Guilherme, BIGARELLA, Iris Koehler, e BIGARELLA, João José

  • Contribuição ao estudo dos sambaquís do litoral norte de Santa Catarina: II - Sambaquí do Rio Pinheiros (N° 8). Arquivos de Biologia e Tecnologia, IX, Curitiba 1954, pp. 141-197, 20 figuras no texto, 1 mapa, 1 tabela e 3 pranchas fora do texto, resumo em inglês. Bibliografia.

Das conclusões destacam-se as seguintes: "De um modo geral… somos levados a concluir que o sambaquí foi erigido por agrupamentos humanos de, pelo menos, 3 culturas diferentes que, a julgar pela espessura das camadas, sucederam-se em intervalos de tempo relativamente longos. A precariedade das informações bibliográficas não permite estabelecer correlações entre os remanescentes arqueológicos encontrados no sambaquí e tribos que povoavam o sul do Brasil na época do descobrimento ou posteriormente." (p. 196).


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