Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

A transcrição dos 1049 verbetes contidos no segundo volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em janeiro de 2019. O volume inclui, ainda, 58 acréscimos (novas edições, reimpressões, etc.) referentes a items incluídos no primeiro volume.


SIMONS, Bente Bittmann

  • Notes on anchor axes from Brazil. Revista do Museu Paulista, N. S., XVI. São Paulo 1965/66, pp. 321-358, 4 pranchas fora do texto. Bibliografia.

Valioso complemento ao estudo de Stig Rydén (B. C. 1396) sôbre êstes machados semilunares. As peças representadas nas pranchas pertencem às coleções do Museu Paulista.


* * *


SIQUEIRA, Baptista

"Aqui não queremos perder a oportunidade de lembrar que, no nordeste, há duas espécies de melodias perfeitamente sistematizadas, que evoluiram no seio do povo: 1 a. ― A de origem negra, de acentuação sincopada, que evoluiu do litoral para os canaviais próximos da costa; tem caráter modulante e emprega abusivamente a bateria nos acentos rítmicos. 2 a. - A de origem ameríndia, unitônica, isto é, não modulante. …A melodia nordestina do alto sertão, tem por base a variedade unitônica, isto é, não modula, embora empregue alterações de graus que poderiam sugerir modulações. Os nordestinos, a despeito de não conhecerem o fenômeno da harmonia cromática, empregam as suas alterações sem modular. Essas conclusões não se podem classificar de apressadas, pois encontram apôio nas ilustrações musicais que adiante empregaremos." (p. 23).
O capítulo intitulado "Documentário ameríndio" (pp. 25-34) reune exemplos musicais tirados das obras de Léry, Spix e Martius e Roquette-Pinto.


* * *


SOLER, Benigno J. Martínez

  • Conchyliología ethnológica. El uso ornamental y ceremonial de algunas especies de moluscos en territorio argentino, en relación con los desplazamientos étnicos y el comercio indígena prehispánico. Runa, IX, Buenos Aires 1958/59, pp. 267-322, 9 figuras e 4 mapas no texto, 12 figuras e 1 mapa em pranchas fora do texto. Bibliografia.

Apesar dêste estudo incluir tribos brasileiras e abranger com um mapa de distribuição geográfica de colares também o Brasil, faltam nêle muitas informações acessíveis da literatura sôbre os índios dêste país. Êste fato chama a atenção para a necessidade de uma monografia sôbre a difusão do uso de conchas como enfeites e instrumentos de trabalho dos nossos silvícolas.


* * *


SOUSA, Boanerges Lopes de [1881-1961]

  • Indios e Explorações geográficas. Publicação nº 110 do Conselho Nacional de Proteção aos Índios. Rio de Janeiro 1955, 178 pp. in-8°, 33 figuras em pranchas e 14 mapas fora do texto.

A primeira parte dêste livro reproduz o estudo intitulado "Explorações geográficas na região do alto rio Negro" (cf. B. C. 1573). Na segunda parte (pp. 79-120) que é a descrição de uma viagem ao Oiapoque realizada em 1927, há referências aos Oiampi (p. 112 e 3 pranchas entre as pp. 114 e 115). A terceira parte (pp. 121-153) trata de assuntos indigenistas, sendo que a quarta e última parte encerra o texto de uma conferência sôbre os trabalhos da Comissão Rondon.


* * *


SOUSA, Boanerges Lopes de

  • Do Rio Negro ao Orenoco (A Terra ― O Homem). Conselho Nacional de Proteção aos Índios, publicação nº 111. Rio de Janeiro 1959. xviii, 260 pp. in-8°, 33 figuras e 1 mapa no texto, 7 mapas fora do texto.

Êste diário de viagem escrito pelo autor ao chefiar como militar, em 1928, uma comissão da "Inspeção de Fronteiras", contém interessantes referências aos índios da região percorrida, isto é, a dos rios Negro, Xié, Içana, Cuiari, Aiari, Uaupés, Papori e Tiquié.
Como anexos figuram pequena lista de palavras baniva ("baniua") (pp. 238-239), relação dos artefatos indígenas colecionados para o Museu Nacional (pp. 240-243) e estatística da população recenseada no decurso das expedições realizadas aos referidos rios (pp. 244-260).


* * *


SOUSA, Cicero Christiano de

Reanálise do material psico-diagnástico colhido por Baldus e analisado por Ginsberg (cf. B. C. 151).


* * *


SOUZA, Déa de

  • A música entre os nossos índios. Ilustração Brasileira, ano XXIV, n. 139, Rio de Janeiro 1946, pp. 24-25, 10 figuras no texto.

Ligeiras notas, representando as figuras instrumentos musicais de diversas tribos do Brasil conservados no Museu Nacional do Rio de Janeiro.


* * *


SOUZA, José Geraldo de

  • Contribuição rítmico-modal do canto gregoriano para a música popular brasileira. Revista do Arquivo Municipal, CLXIII, São Paulo 1959, pp. 39-66, trechos musicais no texto. Bibliografia.

Contém interessantes observações sôbre a música de diversas tribos de índios do Brasil (pp. 56-58).


* * *


SOUZA, Lincoln de

  • Entre os Xavantes do Roncador. Rio de Janeiro 1952. 166 pp. in-8°, 1 mapa e 43 figuras em pranchas fora do texto.

Reportagens de quatro viagens feitas em procura dos Akué-Xavante, nos anos de 1946, 1947, 1949, e 1950. Além de tratar dêstes índios, o autor, enviado do jornal carioca "A Noite" se refere também aos Tapirapé, Karajá, Javahé, Kalapalo e Nahuquá.


* * *


SOUZA, Lincoln de

  • Os Xavantes e a Civilização (Ensaio histórico). Boletim Geográfico, X, N° 106, Rio de Janeiro 1952, pp. 55-83.

Baseado em numerosa documentação, o autor sintetisa notícias sôbre os contactos dos Akué-Xavante com os brancos desde o século XVIII até o ano de 1951.


* * *


SPRANZ, Bodo

  • Die Speerschleuder in Amerika. Veröffentlichungen aus dem Übersee-Museum in Bremen, Reihe B, I, Heft 2. Bremen 1956, pp. 148-162, 6 figuras e 2 mapas no texto. Bibliografia.

Êste estudo sôbre as formas, a distribuição geográfica e o uso do propulsor de dardos nas Américas, trata, também, de numerosas tribos do Brasil.


* * *


ŠPRINCIN, N. G.

  • Indieitsy Brazilii. Trudy Instituta Etnografii Imena N. N. Mikluho-Maklaja, XXV, Moskva 1955, pp. 222-242, 2 figuras no texto.

Sob o título "Índios do Brasil", o presente artigo dá uma idéia do modo de vida dêsses selvícolas no passado, da invasão pelos conquistadores e colonos e da política indigenista do govêrno brasileiro. Não deixa de referir-se às expedições russas em visita a tribos do Brasil, isto é, as de Langsdorff no terceiro decênio do século passado e de Manizer no segundo decênio do nosso século.
Uma das figuras (n. 49) representa índios Nambikuara e a outra (n. 50) cabana karajá.


* * *


STÄHLE, Vera-Dagny

  • Dorforganisation und Kulturwandel bei den Boróro. Staden-Jahrbuch, XIV, São Paulo 1966, pp. 17-30, 4 pranchas fora do texto. Bibliografia.

A autora visitou em setembro de 1963 os Bororo de Meruri. Das suas notas destacam-se as sôbre o funeral.


* * *


STAUFFER, David Hall

  • Origem e fundação do Serviço de Proteção aos Índios. Traduzido do manuscrito intitulado "The Origin and Establishment of Brazil's Indian Service 1889-1910" por J. Philipson. Revista de História. São Paulo 1959, n. 37, pp. 73-95; 1960, n. 42, pp. 435-453; n. 43, pp. 165-183; n. 44, pp. 427-450.

Depois de referir-se à intensificação da penetração dos territórios dos índios brasileiros durante as primeiras duas décadas da República, o autor analisa o debate em tôrno da alternativa entre a pacificação e o extermínio das tribos hostis que agitava, naquela época, jornais e sociedades científicas do País. Trata, por fim das medidas tomadas pelo Govêrno Federal para criar, em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios. O original dêste bem documentado trabalho foi apresentado, em 1955, como tese de doutoramento à Universidade de Texas.


* * *


STEINEN, Karl von den [1855-1929]

  • Erfahrungen zur Entwicklungsgeschichte der Völkergedanken. Globus, LVI, Braunschweig 1889, pp. 11-15.

O autor trata do conceito da "idéia de povos" baseando-se em observações por êle feitas entre índios do Brasil.


* * *


STEINEN, Karl von den

  • "Plejaden" und "Jahr" bei Indianern des nordöstlichen Südamerika. Globus, LXV, Braunschweig 1894, pp. 243-246.

Baseado, principalmente, em material lingüístico, o autor estuda os conceitos que várias tribos brasileiras tinham da relação entre as plêiades e as estações.


* * *


STEINMANN, Alfred

  • Einführung in die Sammlung für Völkerkunde der Universität Zürich. Zürich 1956, 26 pp., 24 pranchas fora do texto.

As páginas 25 e 26 referem-se ao material brasileiro existente nas coleções etnográficas da Universidade de Zurique.


* * *


STEPANENKO, Alexis

  • As impressões rupestres de Caraúbas e Apodí: municípios do Estado do Rio Grande do Norte. Revista da Fafile, I, n. 1, Juiz de Fora 1966, pp. 65-71, 4 figuras no texto, resumos em francês e inglês. Bibliografia.

A região em questão era, outrora, habitada pelos Kariri.


* * *


STEWARD, Julian H., and FARON, Louis C.

  • Native peoples of South America. New York, Toronto, London, 1959. xi, 481 pp. in-16°, 95 figuras, 13 mapas, 4 tábuas e 1 grafico no texto. Índice alfabético de nomes e matérias.

No dizer dos autores, o presente livro é "a general summary" do Handbook of South American Indians organizado pelo primeiro dêles (B. C., 1698), mas também "an interpretative work, written according to a general theoretical point of view" (p. vi.). "First, we attempt to recognize the several types of native South American cultures as the results of particular causes or processes. For this reason we pay special attention to subsistence or food-getting activities and the ways in which societies had to organize themselves for such activities." (p. 1). "Second, our interests lead to a treatment of archaeology that differs in emphasis from that of our colleagues; for in prehistory as well as in ethnology we endeavor to extract all possible sociological meaning from the data." (p. 2). "Our third interest is the interaction of the European conquerors and colonists with the Indians in South America." (p. 3).
No que diz respeito às partes do livro referentes aos índios do Brasil, esta orientação não traz novidades especiais para o etnólogo, mas leva os autores, não raro, a generalizações superficiais e inexatidões. Ansiosos por encontrar traços gê na cultura tapirapé, atribuem êles a êstes Tupi um costume ignorado pela tribo, "the log race" (p. 341), a corrida de toras. O Handbook não menciona isso.
Quando escrevem: "Little is known of native residence patterns and kinship structure among the Guaycuruans" (p. 386), como se não existisse o trabalho de Darcy Ribeiro sôbre "Sistema familial kadiuéu" publicado em 1948 na Revista do Museu Paulista (B. C., 1304), é de observar-se que as poucas notas bibliográficas que seguem cada capítulo, citam quase que exclusivamente literatura em língua inglêsa e nenhuma em português. Aliás, em outra obra do mesmo autor brasileiro, intitulada "Culturas e línguas indígenas do Brasil" (B. C., 2557), podem ser encontrados os corretivos para a estimativa fantástica da população indígena brasileira, dada na p. 457.
Convém notar, ainda, que o mapa lingüístico (p. 23) baseia-se na classificação apresentada por Greenberg no V Congresso Internacional de Ciências Antropológicas e Etnológicas (B. C., 2223) e não no Congresso de Americanistas, como errôneamente informam as pp. 22 e 30.
Cf. os comentários de S. Henry Wassén em Man, LIX, London 1959, p. 183; de Clifford Evans na Revista Interamericana de Ciencias Sociales, I, n. 1, Washington 1961, pp. 219-220, e Irving Rouse no American Anthropologist, LXIII, n. 3, Menasha 1961, pp. 622-624.


* * *


STEWART, T. D., and WALTER, H. V.

  • Fluorine Analysis of Putatively Ancient Human and Animal Bones from Confins Cave, Minas Gerais, Brazil. Anais do XXXI Congresso Internacional de Americanistas (São Paulo 1954), II, São Paulo 1955, pp. 925-937. Bibliografia.

Esta valiosa contribuição para o estudo da antiguidade do homem na América termina com as seguintes palavras: "…due to the fluorine test, we can be sure that Lund was right about the presence of early man in Brazil." (p. 936).


* * *

This site is part of the Etnolinguistica.Org network.
Except where otherwise noted, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.