Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

A transcrição dos 1049 verbetes contidos no segundo volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em janeiro de 2019. O volume inclui, ainda, 58 acréscimos (novas edições, reimpressões, etc.) referentes a items incluídos no primeiro volume.


BALDUS, Herbert

  • Os carimbos do índios do Brasil. Revista do Museu Paulista, Nova Série, XIII, São Paulo 1961/62, pp. 7-74, 35 figuras e 1 mapa no texto, 1 figura e 14 pranchas fora do texto, resumo em inglês, índice descritivo das figuras e pranchas. Bibliogrâfia. ― Uma versão alemã resumida apareceu sob o título: Die Stempel der Indianer Brasiliens, Anthropos, LVII (Festschrift für P. Martin Gusinde), St. Augustin 1962, pp. 336-344, 1 prancha fora do texto. Bibliografia.

Reunindo dados da literatura, informações sôbre coleções de diversos museus e comunicações pessoais, o autor estuda a tipologia e a distribuição geográfica dêsses instrumentos. Tomando como critério, segundo cada caso requeria, ou a forma, ou a matéria-prima, ou o desenho, distingue os seguintes sete tipos principais de carimbos brasileiros: (1) vareta, (2) plano-largo, (3) garfo, (4) rôlo, (5) babaçu, (6) cabaço, (7) corda. Encarando a distribuição nas onze áreas culturais propostas por Eduado Galvão (B. C. 2198), encontra carimbos em seis delas. Coordenando os dados segundo os tipos, estabelece oito "províncias estilísticas".
Os índios do Brasil utilizam carimbos, em geral, só para a ornamentação de sua pele. Formam exceções os casos de carimbagem de peças da indumentária, ignorando-se o uso de carimbo na cerâmica.
Problemáticos são os mencionados poucos achados arqueológicos de cerâmica a qual poderia ter funcionado como carimbo. No que diz respeito ao material etnográfico reunido na presente monografia, ninguém poderá negar que a multiplicidade das formas dos carimbos e dos desenhos a estampar mostra a capacidade artística de seus produtores.
Os dados sôbre os Waiwái e Tarumá (pp. 16, 47 e 56) foram completados, em 1965, pela publicação das figuras 75 e 81 em Yde: Material Culture of the Waiwái. B. C. 2802.
Cf. os comentários de Erasmo D'Almeida Magalhães no Sumplemento Literário n. 404 d'O Estado de S. Paulo, São Paulo 1964, p. 2, de Clifford Evans e Betty J. Meggers no Handbook of Latin American Studies, XXVII, University of Florida Press, 1965, item 531, e de William H. Crocker, ibidem, item 1202.


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BALDUS, Herbert

  • Métodos e resultados da ação indigenista no Brasil. Revista de Antropologia, X, São Paulo 1962, pp. 27-42. Bibliografia. — A versão espanhola apareceu em Actas y Memorias, II, XXXV Congresso Internacional de Americanistas (México 1962), México 1964, pp. 307-322, bibliografia, e em Cuadernos Americanos, CXXV, n. 6, México 1962, pp. 191-207.

Nesta comunicação feita no simpósio sôbre «Métodos y resultados de la acción indigenista en América» do XXXV Congresso Internacional de Americanistas, o autor analisa o tratamento dado aos índios brasileiros pelos brancos, distinguindo três aspectos, isto é, «a proteção, a pacificação e a aculturação dirigida».

Cf. o comentário de William H. Crocker no Handbook of Latin American Studies, XXVII, University of Florida Press, 1965, item 1202a.


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BALDUS, Herbert

  • Métraux e a Etnologia Brasileira. Revista do Museu Paulista, Nova Série, XIV, São Paulo 1963, pp. 45-59, 1 prancha fora do texto. Bibliografia.

Neste necrológio são enumeradas e comentadas as publicações de Alfred Métraux sôbre índios do Brasii. A bibliografia indica também as outras obras dêste autor que "deixou um nome respeitável na História da Etnologia Brasileira" (p. 49).


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BALDUS, Herbert

  • Sinopse da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira 1953-1960. Arquivos do Instituto de Antropologia, 1, n. 2, Natal 1964, pp. 5-22. ― Versão inglesa de Janice H. Hopper em Indians of Brazil in the Twentieth Century, Washington 1967, pp. 207-228 (B. C. 2762).

Texto de conferência proferida em Belo Horizonte, por ocasião da V Reunião Brasileira de Antropologia, em 1961, apreciando publicações saídas naquele período, no que dizem respeito aos diversos aspectos das culturas e de sua distribuição geográfica.


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BALDUS, Herbert

  • O xamanismo na aculturação de uma tribo tupi do Brasil Central. Revista do Museu Paulista, N. S., XV, São Paulo 1964, pp. 319-327. Bibliografia. ― Saiu, também, em Humboldt, Revista para o Mundo Luso-Brasileiro, XIV, Hamburgo 1966, pp. 76, 78 e 80, e nas Actas y Memorias del XXXVI Congreso Internacional de Americanistas, III, Sevilla 1966, pp. 231-237. Bibliografia.

Trata do progressivo desaparecimento do xamanismo através de trinta anos de mudança cultural dos Tapirapé.


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BALDUS, Herbert

  • O estado atual da Etnologia Brasileira. XXXVI Congreso Internacional de Americanistas, Actas y Memorias, III, Sevilla 1966, pp. 61-65. ― Saiu, também, em América Latina, ano 7, n. 4, Rio de Janeiro 1964, pp. 109-113, e no Bulletin of the International Committee on Urgent Anthropological and Ethnological Research, No. 7, Vienna 1965, pp. 63-68.

Esta comunicação feita, em 1964, no Simpósio sôbre O Estado Atual da Etnologia na América Latina do XXXVI Congresso Internacional de Americanistas pode servir de complemento ao trabalho do mesmo autor intitulado Sinopse da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira 1953-1960 (cf. B. C. 1849).


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BALDUS, Herbert

  • A contribuição de Anchieta ao conhecimento dos índios do Brasil. Anchietana. Comissão Nacional para as Comemorações do "Dia de Anchieta". São Paulo 1965, pp. 251-258. Bibliografia.

Situa essa contribuição do missionário jesuíta comparativamente no conjunto das contribuições à Etnologia e Lingüística Brasileiras dadas por seus patrícios espanhois, seus contemporâneos quinhentistas e por outros missionários. Aponta, depois, o valor que Anchieta tem para o etnólogo moderno e o lingüista de hoje.


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BALDUS, Herbert

  • Harald Schultz 1909-1966. Revista do Museu Paulista, N. S., XVI, São Paulo 1965/66, pp. 7-20, 1 prancha fora do texto. Bibliografia. ― Saiu, também, em Humboldt, n. 16, Hamburgo 1967, p. 93, 1 figura no texto. ― Versão inglêsa de D. Maybury-Lewis, em American Anthropologist, LXVIII, n. 5, Menasha 1966, pp. 1233-1235, 1 figura no texto. Bibliografia.

Necrológio seguido por uma bibliografia comentada das publicações etnográficas e lingüísticas de Harald Schultz, por uma enumeração cronológica das suas pesquisas de campo e por listas de suas coleções etnográficas e arqueológicas existentes no Museu Paulista.


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BALDUS, Herbert

  • O xamanismo. Sugestões para pesquisas etnográficas. Revista do Museu Paulista, N. S., XVI, São Paulo 1965/66, pp. 187-253. Bibliografia.

"O xamanismo é uma instituição social cujos representantes, através do êxtase produzido segundo padrões tribais, entram em contacto com o sobrenatural a fim de defender a comunidade de acôrdo com suas respectivas ideologias religiosas, seja por viagens a mundos do Além, seja pela possessão por espíritos." (p. 187).
O presente trabalho é, essencialmente, uma introdução aos problemas do xamanismo em geral. O xamanismo é estudado em relação ao mundo sobrenatural (pp. 191-217) e com referência ao grupo social (pp. 218-243). A última parte (pp. 244-252) trata da distribuição geográfica do xamanismo entre os índios do Brasil, apresentando uma bibliografia coordenada segundo áreas culturais.


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BALDUS, Herbert

  • Mondfinsternis bei den Tapirapé. Folk, VIII-IX, København 1966/67, pp. 25-27. Bibliografia.

Trata do comportamento dêsses índios em relação a um eclipse lunar.


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BANNER, Horace

  • Mitos dos índios Kayapó. Revista de Antropologia, V, n. 1, São Paulo 1957, pp. 37-66.

O autor, que como missionário passou longos anos com a subtribo kaiapó dos Górotire do rio Fresco, apresenta uma coleção de 32 lendas em versão portuguêsa, contendo material cosmogônico, motivos etiológicos, contos de animais e numerosos dados sôbre diversos outros aspectos culturais.


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BANNER, Horace

  • O índio Kayapó em seu acampamento. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, N. S., Antropologia, n. 13, Belem do Pará 1961, 51 pp.

O autor relata despretensiosamente o que tem visto e ouvido, como missionário, entre êsses Gê, organizando os dados sob os seguintes títulos: O acampamento ― Enfeites e pinturas ― O casamento ― A família ― A casa dos homens ― O resguardo de quem matou ― Brincadeira e diversões ― Brinquedos ― Hóquei ― Luta corporal ― Batalha de fogo ― Espingardas de pressão ― Cabo de guerra ― Arremêsso de dardos ― Brigar com marimbondos ― A festa da castanha nova ― Na água ― Cantar e dançar ― Festas ― Crenças e temores ― Morte e entêrro ― O órfão ― Pequeno dicionário de alimentação. Observa: "Colhi material entre os Gorotíre do Rio Fresco, os Kuben-kran-kein do Riozinho, os Kô-krai-môro do alto Xingu, os Men-krang-no-tí do Rio Curuá, como também de índios Chikrin e Djore provenientes do rio Tacaiuna." (p. 1).
Apresentando o autor, Eduardo Galvão declara: "O convívio de mais de vinte anos, o comando da língua e a boa capacidade de observação revelada nessas notas, são as suas credenciais." (p. 2).


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BARANDIARÁN, Daniel de

  • Actividades vitales de subsistencia de los indios Yekuana o Makiritare. Antropológica, n. 11, Caracas 1962, pp. 1-29, 8 figuras no texto.

Trata da lavoura, caça e pesca dêsses Karaíb da Venezuela que têm parentes tribais, também chamados Maiongong, no Brasil (Território de Roraima).


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BARANDIARÁN, Daniel de

  • Shamanismo Yekuana o Marikitare. Antropológica, n. 11, Caracas 1962, pp. 61-90, 6 figuras no texto. Bibliografia.

Depois de apresentar a visão que êsses índios têm do cosmos, o autor trata da viagem ao céu de seus xamãs chamados Huuwai. Menciona como atributos dêstes, recebidos do "propio Ser Supremo", o banco em forma de onça, o maracá e as pedras de quartzo (p. 68). Pelo contacto com os vizinhos Makuxí apareceram as fôrças do mal (pp. 70-71). Digna de nota é a seguinte observação: "Sería un grave error hablar de una 'posesión' para el shamán Yekuana. Métraux hace notar que el trance extático concluye en el shamán Yekuana y Taulipang con su 'posesión' por los espíritus familiares. Al contrario, el Huuwai posee o domina a sus 'espíritus' o los tiene a su servicio, en cuanto que él, puro hombre, los hace instrumentos suyos, y que, en su vuelo celeste, vence todas las barreras, y anexiona para su servicio todas las prerrogativas de los siete cielos intermedios. Además, el trance extático concluye más bien en un diálogo murmurador con los espíritus de los shamanes difuntos y con cantos de los tres pájaros shamánicos del Sexto Cielo. En todo esto, no hay sitio ni lugar para hablar de una posesión pasiva del shamán. El shamán Yekuana es un 'elegido' y como tal, tiene acceso a una zona sagrada inaccesible a los demás miembros de la comunidad. Esa zona sagrada y sus experiencias extáticas no son autocreadas por el shamán, sino que son anteriores a él y predeterminadas en una anterior concatenación shamánica tribal." (p. 73). Infelizmente, o autor não entra em detalhes a repeito do "trance extático".


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BARANDIARÁN, Daniel de

  • El habitado entre los índios Yekuana. Antropológica, n. 16, Caracas 1966, pp. 1-95, 30 figuras no texto. Bibliografia.

Baseado em dados que colheu no alto Erebato, em 1960, o autor trata, pormenorizadamente, da construção e do simbolismo da casa coletiva dêsses índios que, com sua forma cônica e o poste central de 16 a 18 metros, reproduz a estrutura do universo iekuaná (p. 16).


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BARATA, Frederico [1900-1962]

  • Uma análise estilística da cerâmica de Santarém. Cultura V, Rio de Janeiro 1952, pp. 185-205, 75 figuras em pranchas fora do texto.

Trabalho básico para o estudo da cerâmica dos Tapajó.


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BARATA, Frederico

  • Arqueologia. As Artes Plásticas no Brasil, I, Rio de Janeiro 1952, pp. 11-71, 29 figuras no texto, 2 pranchas coloridas fora do texto. Bibliografia.

Sinopse da pré-história e arqueologia brasileiras, destacando-se os resumos dos estudos de sambaquis (pp. 21-26), da cerâmica marajoara (pp. 39-49) e da dos Tapajó (pp. 49-53).


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BARATA, Frederico

Nesta importante contribuição para a formulação do conceito de muiraquitã, o autor chega à conclusão de que os chamados muiraquitãs dos Tapajó eram apenas contas de colares. "O muiraquitã aparenta ser um fenômeno mais local, com origem numa cultura ainda indeterminada mas que o produziu sem dúvida alguma na Amazônia, como provam os artefatos em diferentes fases de confecção, inacabados, que se têm encontrado na região. À cultura referida achavam-se ligados de algum modo os Tapajó, fôsse pelo comércio ou por serem dela continuadores em outro estágio de desenvolvimento." (p. 258).


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BARBOSA, A. Lemos

  • Conversando com um índio Fulniô. Notas etnográficas e linguísticas. Verbum, VII, Rio de Janeiro 1950, pp. 411-426.

Contém textos ditados ao autor por um Fulniô na sua língua e reproduzidos com tradução interlinear portuguêsa incluindo algumas observações sôbre a cultura dêsses índios pernambucanos.


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BARBOSA, A. Lemos

  • Curso de tupi antigo. Gramática, exercícios, textos. Rio de Janeiro 1956. 479 pp. in-8°, 28 figuras no texto, índices alfabéticos de assuntos e de palavras e afixos tupi. Bibliografias.

Neste compêndio muito recomendável para os estudiosos se familiarizarem com a língua tupi reproduzida em obras escritas entre os meados do século XVI e os meados do século XVIII há um capítulo sôbre nomenclatura de parentesco e outros dados especialmente interessantes para o etnólogo.
As figuras reproduzem gravuras de Staden, Thevet e de Bry.
Cf. o comentário de M. de L. de Paula Martins na Revista do Museu Paulista, N. S., XI, São Paulo 1959, p. 307.


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