Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

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BALDUS, Herbert

  • Os Oti. Revista do Museu Paulista, N. S., VIII, São Paulo 1954, pp. 79-92. Resumo em inglês. Bibliografia.

O autor reúne os poucos dados existentes sôbre a história e cultura dessa tribo extinta que não foi considerada na parte etnográfica do Handbook of South American Indians e é conhecida também como «Xavante de São Paulo», pois habitava a região de Campos Novos na bacia do Paranapanema. Distinguiu-se dos Opaié-Xavante do sul mato-grossense e dos Akué-Xavante da bacia do Araguaia não só pela língua que é isolada, mas também por não ter tido aldeias circulares nem lavoura, por um corte longitudinal paralelo à borda posterior do pavilhão da orelha e por nunca ter atacado o homem branco.

A história do fim dos Oti escrita por Nimuendajú e publicada do manuscrito inédito (pp. 83-88) mostra o desenvolvimento dramático do encontro de dois povos que, ignorando um o padrão de comportamento do outro, se atemorizam e se prejudicam mutuamente: os Oti comem gado introduzido no seu habitat, ignorando o que êste ato significa na cultura dos invasores e não reagem quando êstes os agridem e matam.

Por outro lado, em certa ocasião um grupo de trabalhadores entra em pânico à vista de algumas mulheres daquela tribo. Portanto, o autor do presente artigo, considerando as diferenças culturais como fatores da extinção dos Oti, vê no encontro dêles com o branco um exemplo de «choque cultural» (p. 88). Egon Schaden (Aculturação Indígena, São Paulo 1964, p. 43), porém, pondera a respeito: «Talvez nem convenha no caso, falar em choque cultural («conflito cultural extraordinàriamente violento a ponto de desintegrar, ao primeiro contacto, grande parte de uma ou de tôdas as culturas em contacto», Willems, 1950, pag. 23 ), uma vez que não houve sequer oportunidade para um confronto propriamente dito dos valores de uma cultura com os da outra. Determinada sem dúvida por padrões de comportamento pré-existentes nos dois sistemas culturais, a interação no entanto parece não ter ido muito além do plano ecológico, de modo que o substrato humano dos Otí foi destruído antes que as culturas, como tais, entrassem em conflito.»


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BALDUS, Herbert

O autor compara 143 nomes de animais em cherente, por êle colhidos, com termos correspondentes em akuê-chavante, krahó, apinagé e canela, mostrando semelhanças e diferenças de tôdas essas línguas gê entre si. Menciona, ainda, que na comparação do referido material gê com têrmos correspondentes em kaingang, karajá e tapirapé não aparece nenhum caso de semelhança.


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BALDUS, Herbert

  • Métodos e resultados da ação indigenista no Brasil. Revista de Antropologia, X, São Paulo 1962, pp. 27-42. Bibliografia. — A versão espanhola apareceu em Actas y Memorias, II, XXXV Congresso Internacional de Americanistas (México 1962), México 1964, pp. 307-322, bibliografia, e em Cuadernos Americanos, CXXV, n. 6, México 1962,pp. 191-207.

Nesta comunicação feita no simpósio sôbre «Métodos y resultados de la acción indigenista en América» do XXXV Congresso Internacional de Americanistas, o autor analisa o tratamento dado aos índios brasileiros pelos brancos, distinguindo três aspectos, isto é, «a proteção, a pacificação e a aculturação dirigida».

Cf. o comentário de William H. Crocker no Handbook of Latin American Studies, XXVII, University of Florida Press, 1965, item 1202a.


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BECHER, Hans

Breve notícia biográfica sôbre Feldner (1772-1822) antecede as ligeiras notas sôbre os referidos índios tiradas do segundo volume de «Reisen durch mehrere Provinzen Brasiliens», pp. 141-152. Observava Becher que esta obra póstuma do técnico de mineração alemão, publicada em Liegnitz, no ano de 1828 (2 volumes, de 182 e 259 páginas, respectivamente), contém, ainda, um vocabulário botocudo.


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HALMOS, I.

Importante trabalho baseado em material musical de uma hora e meia de duração, colhido entre aquêles índios por Lajos Boglár e contendo 32 melodias.


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HUGO, Vitor

  • Desbravadores. Com prefácio do prof. Pedro Calmon. I, São Paulo 1959, xl, 294 pp. in-8º, 4 pranchas no texto, 54 pranchas fora do texto, índice alfabético de nomes. Bibliografia. — II, São Paulo 1959, xxxi, 457 pp. in-8º, 2 pranchas no texto, 63 pranchas e 11 mapas fora do texto, índice alfabético de nomes. Bibliografia.

Baseada em numerosa literatura e documentos inéditos, esta história da penetração da bacia do Madeira pelos missionários católicos e, especialmente, do desenvolvimento da prelazia de Pôrto Velho contém referências a muitas tribos da região. No segundo volume destacam-se, além dos dados demográficos (pp. 208, 337-339 e 343 e 344), as descrições da pacificação e catequese dos Parintintin (pp. 209-232 e 340/341), Bôca-Negra (pp. 232-246), Nambikuára (pp. 246-259), Karitiâna (pp. 259-261) e tribos da bacia do Aripuanã (pp. 261-266), bem como os vocabulários alfabéticos português-parintintin (pp. 355-396), português-karitiâna e karitiâna-português (pp. 396-428), português-arara-gavião do rio Gi-Paraná (Machado) (pp. 428-434), português e a língua dos "índios civilizados" da localidade de Três Tombas no rio Branco, afluente do alto rio Aripuanã (p. 435).


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NIMUENDAJÚ, Curt

Estas ligeiras notas sôbre a história e a cultura dêsses índios da região dos formadores do rio Itanhaém no Estado de Minas Gerais, próximo da fronteira com a Bahia, formam o texto dum relatório dirigido pelo autor, em 1939, ao então diretor do Serviço de Proteção aos Índios, e foram, em parte, aproveitadas no Handbook of South American Indians, I, pp. 541-545 (B.C. 1698).


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QUEIROZ, Maurício Vinhas de

Reunindo dados sôbre movimentos messiânicos e milenaristas que, «em intervalos de tempo não muito consideráveis» (p. 53), surgiram naquela tribo do Solimões, o autor destaca a crença na vinda dum navio grande cheio de mercadorias e a compara com o chamado culto de carga encontrado na Melanésia. Em que medida esta comparação é admissível mostra o capítulo «Die Cargo-Kulte in Neuguinea und Insel-Melanesien», no livro de Wilhelm E. Mühlmann: Chiliasmus und Nativismus, Berlin 1961, pp. 165-189 (com bibliografia).


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REIS, Paulo Pereira dos

Reúne documentos do último quartel do século XVIII e do primeiro do século XIX sôbre os Puri que habitavam o nordeste paulista entre a serra da Mantiqueira e o rio Paraíba, documentos êsses elucidativos no que diz respeito ao tratamento dado a êsses índios pelos brancos.


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RIBEIRO, Darcy

  • Cândido Mariano da Silva Rondon. Revista de Antropologia, VI, n. 2, São Paulo 1958, pp. 97-103. Bibliografia. — Reproduzido, com modificações e acréscimos, nos Anais da III Reunião Brasileira de Antropologia (1958), Recife 1959, pp.19-25.

Neste necrológio destacam-se as seguintes quatro normas estabelecidas por Rondon para a conduta do branco em relação ao índio: «Morrer, se preciso fôr, matar, nunca»; «respeito às tribos indígenas como povos independentes»; «garantir aos índios a posse das terras que habitam e são necessárias à sua sobrevivência»; «assegurar aos índios a proteção direta do Estado».
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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna 1925-

Êste estudo baseado na estatística lexical sugerida por Swadesh abre novos caminhos na classificação dos graus de parentesco entre as diversas línguas que, em conjunto, formam o que o autor chama de «tronco tupí» (p. 1067). Representa um passo decisivo para a realização de seu trabalho classificatório apresentado, dois anos depois, no XXXII Congresso Internacional de Americanistas reunido em Copenhague (cf. B. C. 2572).


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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna

  • Morphologische Erscheinungen einer Indianersprache. Münchener Studien zur Sprachwissenschaft, Heft 7, München 1955, pp. 79-88.

Resumo dos principais aspectos da estrutura morfológica da língua tupinambá.


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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna

  • Die Klassifikation des Tupí-Sprachstammes. Proceedings of the Thirty-second International Congress of Americanists (Copenhagen 1956), Copenhagen 1958, pp. 679-684. — A versão portuguêsa saiu sob o título «A classificação do tronco lingüístico tupí» na Revista de Antropologia, XII, São Paulo 1964, pp. 99-104.

Usando o método léxico-estatístico proposto por Swadesh ao XXXI Congresso Internacional de Americanistas (cf. B. C. 2734), o autor dêste importante trabalho classifica as línguas do «tronco tupí» em 7 famílias (pp. 682-683). O têrmo «tronco» corresponde ao «stock» inglês de Swadesh e ao «Stamm» alemão (p. 681).

Digna de nota é a seguinte observação: «Segundo o nosso critério, o tupinambá ou tupí antigo e o guaraní antigo figuram como "dialetos" muito chegados (90 % de vocabulário comum) e não como "línguas". Por conseguinte, uma divisão da família tupi-guarani em dois grupos principais, sendo um dêles subordinado ao tupinambá e outro ao guarani, como foi feito por algumas classificações, é absolutamente inadmissível sob o ponto-de-vista puramente lingüístico.» (p. 683).

A lista classificatória foi reproduzida, com ligeiras modificações de detalhes, no Internacional Journal of American Linguistics, XXIV, n. 3, 1958, p. 234.


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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna

Sinopse do estado dêsses estudos em 1961, acompanhada de comentários de J. Mattoso Câmara Jr. (pp. 17-19) e Sarah C. Gudschinsky (pp. 20-21).

Êsse trabalho, apresentado, primeiro, à V Reunião Brasileira de Antropologia, Belo Horizonte, em junho de 1961, foi lido, também, em agôsto do mesmo ano, nos II Encontros Intelectuais de São Paulo, sendo reproduzido nos Anais dêsta conclave intitulados Origens do Homem Americano, São Paulo 1964, pp. 304-310.


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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna

Reunindo o «Pequeno vocabulário da língua dos índios Cinta-Larga» do padre Adalberto Holanda Pereira, publicado ibidem, pp. 25-26, com 39 palavras do mesmo idioma, colhidas por Sarah Gudschinsky, e comparando êste material com o Mondé e o Digüt, o autor conclui que o Cinta-Larga pertence «à família lingüística Mondé, que é uma das sete famílias que, ao lado da Tupi-Guarani, compõem o tronco lingüístico Tupi.» (p. 27).


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SCHADEN, Egon

  • As culturas indígenas e a civilização. Anais do I Congresso Brasileiro de Sociologia (1954), São Paulo 1955, pp. 189-200. — Tradução alemã por Anatol H. Rosenfeld sob o título «Indianische Kulturen und die Zivilisation», Von fremden Völkern und Kulturen, Hans Plischke zum 65. Geburtstage, Düsseldorf 1955, pp. 247-254.

Importante contribuição para o estudo dos problemas do tratamento dado ao índio pelo branco no passado e no presente. O autor frisa a necessidade de se criar nas tribos do Brasil «a 'mentalidade econômica' indispensável à vida no mundo civilizado e de se modificarem paulatinamente os padrões de comportamento e o próprio ideal de cultura no sentido de não serem incompatíveis com essa mentalidade.» (p. 200).


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SCHMIDT, Max 1874-1950

  • Aus den Ergebnissen meiner Expedition in das Schingú-quellgebiet. Globus, LXXXVI, Nr. 7, Braunschweig 1904, pp.119-125, 16 figuras no texto.

Contém material colhido pelo autor na sua viagem à região dos formadores do Xingu e, em parte, não publicado no seu livro sôbre esta expedição aparecido em 1905.


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SCHULTZ, Harald

Esta excelente obra de divulgação referente às viagens aos Umutina realizadas pelo autor em 1943, 1944 e 1945 contém preciosas informações sôbre o culto aos antepassados dêsses índios do alto Paraguai, seus processos de adquirir o sustento, sua mitologia e outros traços culturais.

As numerosas figuras reproduzem impressionantes fotografias.

Cf. o comentário de Hans Becher na Zeitschrift für Ethnologie, LXXXI, Braunschweig 1956, pp. 155-156.


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SCHULTZ, Harald

  • Here come the Umutinas. Natural History, LXV, New York 1956, pp. 20-27, 76-83 e 106, 25 figuras e 1 mapa no texto.

Narração das aventuras do autor, contendo dados preciosos acêrca dêsses índios de Mato Grosso e reprodução de fotografias de alto valor etnográfico.


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SILVEIRA, Alvaro Astolpho da

  • Memoria chorographica. Bello Horizonte 1921/22, xlix, 703 pp. in-8°, 287 pranchas fora do texto; errata: 4 pp.

Contém referências às pinturas rupestres da serra do Garimpo (pp. 231-232), ligeiras notas sôbre os Botocudos do rio Doce (pp. 521-527 e 545-546), um vocabulário de sua língua (pp. 529-543) e alguns dados sôbre os Purí do ribeirão S. Manoel (pp. 546-547).


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