Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume II (Baldus 1968)

Até o momento foram transcritos 38 verbetes do total de 1049 contidos no segundo volume. Quer contribuir com o projeto de digitalização? Entre em contato conosco!


ALBISETTI, Cesare

  • Il villaggio boróro. Anthropos XLVIII, Freiburg in der Schweiz 1953, pp. 625-630, 1 gráfico no texto, 1 prancha fora do texto. Bibliografia.

Esta descrição da aldeia bororo é, antes de tudo, uma importante contribuição à etno-sociologia.


* * *


BALDUS, Herbert

  • Os Oti. Revista do Museu Paulista, N. S., VIII, São Paulo 1954, pp. 79-92. Resumo em inglês. Bibliografia.

O autor reúne os poucos dados existentes sôbre a história e cultura dessa tribo extinta que não foi considerada na parte etnográfica do Handbook of South American Indians e é conhecida também como «Xavante de São Paulo», pois habitava a região de Campos Novos na bacia do Paranapanema. Distinguiu-se dos Opaié-Xavante do sul mato-grossense e dos Akué-Xavante da bacia do Araguaia não só pela língua que é isolada, mas também por não ter tido aldeias circulares nem lavoura, por um corte longitudinal paralelo à borda posterior do pavilhão da orelha e por nunca ter atacado o homem branco.

A história do fim dos Oti escrita por Nimuendajú e publicada do manuscrito inédito (pp. 83-88) mostra o desenvolvimento dramático do encontro de dois povos que, ignorando um o padrão de comportamento do outro, se atemorizam e se prejudicam mutuamente: os Oti comem gado introduzido no seu habitat, ignorando o que êste ato significa na cultura dos invasores e não reagem quando êstes os agridem e matam.

Por outro lado, em certa ocasião um grupo de trabalhadores entra em pânico à vista de algumas mulheres daquela tribo. Portanto, o autor do presente artigo, considerando as diferenças culturais como fatores da extinção dos Oti, vê no encontro dêles com o branco um exemplo de «choque cultural» (p. 88). Egon Schaden (Aculturação Indígena, São Paulo 1964, p. 43), porém, pondera a respeito: «Talvez nem convenha no caso, falar em choque cultural («conflito cultural extraordinàriamente violento a ponto de desintegrar, ao primeiro contacto, grande parte de uma ou de tôdas as culturas em contacto», Willems, 1950, pag. 23 ), uma vez que não houve sequer oportunidade para um confronto propriamente dito dos valores de uma cultura com os da outra. Determinada sem dúvida por padrões de comportamento pré-existentes nos dois sistemas culturais, a interação no entanto parece não ter ido muito além do plano ecológico, de modo que o substrato humano dos Otí foi destruído antes que as culturas, como tais, entrassem em conflito.»


* * *


BALDUS, Herbert

O autor compara 143 nomes de animais em cherente, por êle colhidos, com termos correspondentes em akuê-chavante, krahó, apinagé e canela, mostrando semelhanças e diferenças de tôdas essas línguas gê entre si. Menciona, ainda, que na comparação do referido material gê com têrmos correspondentes em kaingang, karajá e tapirapé não aparece nenhum caso de semelhança.


* * *


BALDUS, Herbert

  • Métodos e resultados da ação indigenista no Brasil. Revista de Antropologia, X, São Paulo 1962, pp. 27-42. Bibliografia. — A versão espanhola apareceu em Actas y Memorias, II, XXXV Congresso Internacional de Americanistas (México 1962), México 1964, pp. 307-322, bibliografia, e em Cuadernos Americanos, CXXV, n. 6, México 1962,pp. 191-207.

Nesta comunicação feita no simpósio sôbre «Métodos y resultados de la acción indigenista en América» do XXXV Congresso Internacional de Americanistas, o autor analisa o tratamento dado aos índios brasileiros pelos brancos, distinguindo três aspectos, isto é, «a proteção, a pacificação e a aculturação dirigida».

Cf. o comentário de William H. Crocker no Handbook of Latin American Studies, XXVII, University of Florida Press, 1965, item 1202a.


* * *


BECHER, Hans

Breve notícia biográfica sôbre Feldner (1772-1822) antecede as ligeiras notas sôbre os referidos índios tiradas do segundo volume de «Reisen durch mehrere Provinzen Brasiliens», pp. 141-152. Observava Becher que esta obra póstuma do técnico de mineração alemão, publicada em Liegnitz, no ano de 1828 (2 volumes, de 182 e 259 páginas, respectivamente), contém, ainda, um vocabulário botocudo.


* * *


GIACONE, Antônio

Subsídios para o estudo dessa língua aruak do médio Uaupés.
Cf. o comentário de Carlos Drumond na Revista de Antropologia, XI, São Paulo 1963, p. 129.


* * *


HALMOS, I.

Importante trabalho baseado em material musical de uma hora e meia de duração, colhido entre aquêles índios por Lajos Boglár e contendo 32 melodias.


* * *


HANKE, Wanda

Esta publicação póstuma contém variado material sôbre índios do Brasil. Assim, algumas informações sôbre restos de Opaié-Chavante e Guarani do sudeste mato-grossense (pp. 9-19), acompanhadas de pequeno vocabulário opaié (pp. 21-32); ligeiras notas, com dados lingüísticos, sôbre os grupos tukano dos Detuana, Jupúa, Makuna e Txuna (pp. 40-90); um trabalho maior (pp. 91-191) que analisa e comenta numerosos desenhos de diversas espécies, feitos por índios sul-americanos de diferentes tribos, inclusive brasileiras.

Cf. os comentários de Bente Bittmann Simons na Revista do Museu Paulista, N. S., XV, São Paulo 1964, pp. 426-428, e de
Thekla Hartmann na Revista de Antropologia, XIV, São Paulo 1966, pp. 148-149.


* * *


HARTMANN, Günther 1924—

  • Alkoholische Getränke bei den Naturvölkern Südamerikas. Berlin 1958. 341 pp., 9 mapas de distribuição geográfica fora do texto, índice alfabético de tribos. Bibliografia. — Excertos, sob o mesmo título, saíram no Baessler-Archiv, N. S., VIII, Berlin 1960, pp. 31-77, 8 mapas no texto. Bibliografia.

«Bebidas alcoólicas entre os povos naturais da América do Sul» é a tradução do título desta tese de doutoramento aceita pela Faculdade de Filosofia da Universidade Livre de Berlin. Na introdução, o autor menciona as tribos que, segundo a literatura, não tomavam bebidas alcoólicas, isto é, as da região dos formadores do Xingu, os Tapirapé e os Karajá, certas tribos do Brasil oriental e nordestino, entre elas a maior parte dos Gê, e tribos das regiões do Japurá e dos formadores do Orinoco bem como da Terra do Fogo e da Patagônia. Estuda, depois, as matérias primas para o fabrico de bebidas alcoólicas dos povos naturais sul-americanos, as suas técnicas de produzir álcool, as funções dessas bebidas na vida social e os efeitos de seu consumo.

Com sua análise conscienciosa da numerosa literatura citada, a presente monografia constitui obra básica sôbre o assunto.

Cf. o comentário de Udo Oberem na Zeitschrift für Ethnologie, LXXXVI, Braunschweig 1961, pp. 155-156.


* * *


HARTMANN, Günther

  • Die materielle Kultur der Xikrin, Zentralbrasilien. Baessler-Archiv, N. F., XIII, Berlin 1965, pp. 269-291, 8 figuras e um mapa no texto; XIV, 1966, pp.103-124, 8 figuras no texto.

Descreve uma coleção de 100 peças dêstes Kaiapó, organizada em 1964 por René Fuerst e pertencente ao Museu Etnográfico de Berlim.


* * *


HARTMANN, Günther

Reproduz de um manuscrito de Siegfried Waehner as observações dêste viajante feitas em 1935 e 1937 a respeito daquele cerimonial
tukuna.


* * *


HUGO, Vitor

  • Desbravadores. Com prefácio do prof. Pedro Calmon. I, São Paulo 1959, xl, 294 pp. in-8º, 4 pranchas no texto, 54 pranchas fora do texto, índice alfabético de nomes. Bibliografia. — II, São Paulo 1959, xxxi, 457 pp. in-8º, 2 pranchas no texto, 63 pranchas e 11 mapas fora do texto, índice alfabético de nomes. Bibliografia.

Baseada em numerosa literatura e documentos inéditos, esta história da penetração da bacia do Madeira pelos missionários católicos e, especialmente, do desenvolvimento da prelazia de Pôrto Velho contém referências a muitas tribos da região. No segundo volume destacam-se, além dos dados demográficos (pp. 208, 337-339 e 343 e 344), as descrições da pacificação e catequese dos Parintintin (pp. 209-232 e 340/341), Bôca-Negra (pp. 232-246), Nambikuára (pp. 246-259), Karitiâna (pp. 259-261) e tribos da bacia do Aripuanã (pp. 261-266), bem como os vocabulários alfabéticos português-parintintin (pp. 355-396), português-karitiâna e karitiâna-português (pp. 396-428), português-arara-gavião do rio Gi-Paraná (Machado) (pp. 428-434), português e a língua dos "índios civilizados" da localidade de Três Tombas no rio Branco, afluente do alto rio Aripuanã (p. 435).


* * *


MAYBURY-LEWIS, David

Este artigo dividido em duas partes trata, na primeira, das diferenças entre Tapuia e Gê, e, na segunda, das entre Chavante e Cherente. Os Tapuia descritos no século XVII não eram Gê, «though they shared a large number of cultural traits with them.» (p. 343). O autor concorda com Haekel «that there is no evidence either historical or ethnographic which would lead us to suppose that the Gê were driven inland from the coast. It seems clear that some tribes were and that certain of these were the ones designated by the blanket term Tapuya. They in turn were not Gê but were located between the well documented Tupí of the coast and the then virtually unknown Gê of the interior.» (p. 344).

A respeito dos Cherente e Chavante observa que estas tribos, no começo do século passado, eram «virtually indistinguishable in speech and custom, but that they considered themselves to be distinct polities and were recognized as such by travellers and chroniclers.» (p. 351). «It seems then that the separation of Shavante and Sherente occurred in the first two decades of the nineteenth century, but that they continued to live in close proximity to each other for at least another twenty years. ln the 1840's the Shavante were probably already moving westward en masse, although there is still a reference to them as being in the north of Goiás. Finally in 1862 they are located in eastern Mato Grosso and we have at last an indisputable criterion for distinguishing between Shavante and Sherente—a distance of 500 kilometres.» (p. 355).


* * *


NIMUENDAJÚ, Curt

Estas ligeiras notas sôbre a história e a cultura dêsses índios da região dos formadores do rio Itanhaém no Estado de Minas Gerais, próximo da fronteira com a Bahia, formam o texto dum relatório dirigido pelo autor, em 1939, ao então diretor do Serviço de Proteção aos Índios, e foram, em parte, aproveitadas no Handbook of South American Indians, I, pp. 541-545 (B.C. 1698).


* * *


PEREIRA, Adalberto Holanda

Vocabulário alfabético irántxe-português precedido de algumas informações a respeito dêsses índios que, atualmente, vivem na missão jesuítica de Utiariti, Mato Grosso. Sôbre sua língua escreve o autor: «Nós, com Dom Alonso Silveira de Melo, acreditamos tratar-se de um grupo isolado, como os Trumái, os Nambiquara etc. A língua irántxe e a pareci não apresentam nenhum parentesco.» (p. 106).


* * *


POMPEU SOBRINHO, Th.

Reune pequenas listas de palavras de vários idiomas indígenas nordestinos, colhidas por Carlos Estevão de Oliveira e outros.


* * *


QUEIROZ, Maurício Vinhas de

Reunindo dados sôbre movimentos messiânicos e milenaristas que, «em intervalos de tempo não muito consideráveis» (p. 53), surgiram naquela tribo do Solimões, o autor destaca a crença na vinda dum navio grande cheio de mercadorias e a compara com o chamado culto de carga encontrado na Melanésia. Em que medida esta comparação é admissível mostra o capítulo «Die Cargo-Kulte in Neuguinea und Insel-Melanesien», no livro de Wilhelm E. Mühlmann: Chiliasmus und Nativismus, Berlin 1961, pp. 165-189 (com bibliografia).


* * *


REIS, Paulo Pereira dos

Reúne documentos do último quartel do século XVIII e do primeiro do século XIX sôbre os Puri que habitavam o nordeste paulista entre a serra da Mantiqueira e o rio Paraíba, documentos êsses elucidativos no que diz respeito ao tratamento dado a êsses índios pelos brancos.


* * *


RIBEIRO, Darcy, e RIBEIRO, Berta G.

  • Arte plumária dos índios Kaapor. Rio de Janeiro 1957. Port-folio de 156 pp., 14 pranchas em policromia, 32 reproduções de fotografias, 38 vinhetas e 1 mapa no texto. Resumo em inglês: pp. 141-151. Bibliografia.

Na presente obra Berta G. Ribeiro analisa estética e ergologicamente as coleções de adornos de penas que o Museu Nacional e o Museu do Índio, do Rio de Janeiro, possuem dos chamados Urubus do Maranhão que denominam a si mesmos Kaapor. Darcy Ribeiro, por sua vez, apresenta, além de considerações etnológicas de caráter geral, as observações referentes à arte plumária, que pôde fazer nas próprias aldeias.

De especial interêsse é a seguinte tentativa de classificação: «A associação da plumária aos trançados ou aos tecidos lhe empresta características tão peculiares que pode servir de critério para distinguir duas famílias estilísticas diversas. A primeira é representada principalmente por tribos do norte do Amazonas, como os Apalaí, Galibí, Taulipang, Waiwai e outros que, montando seus adornos plumários em imponentes armações trançadas, conseguem efeito magestoso, mas não parecem sensíveis aos requintes de acabamento. Outros exemplos de estilo plumário voltado para a suntuosidade, na base da associação com trançados e varetas se encontra nos Bororo, Karajá e Tapirapé.

Estas tribos manifestam uma tendência pronunciada para a utilização das penas longas montadas em armações rígidas, alcançando dimensões avantajadas, de magnífico efeito cênico. Seus diademas rotiformes ou seus largos leques do occipício sugerem, pela aparatosidade, a paramentália de grandes cerimônias de auto-afirmação tribal. Os mais altos representantes da segunda família estilística, baseada na associação da plumagem aos tecidos, são alguns grupos Tupí e, em particular, os Mundurukú e Urubus. Suas criações se distinguem pela flexibilidade que permite aplicá-las diretamente ao corpo, pelos requintes de acabamento e pela procura de efeitos cromáticos sutís em peças de dimensões diminutas. Enquanto os estilos anteriormente referidos parecem voltados para a suntuosidade e o esplendor, êstes sugerem a delicadeza das filigranas e a sensibilidade e virtuosismo das iluminuras.» (p. 17).

Esta monografia que, no seu gênero, diflcilmente poderá ser superada, refuta todos aquêles que, fazendo comparações impróprias com as obras do antigo Peru, negam ao índio brasileiro fôrça criadora no campo das artes plásticas.

Cf. os comentários de Herbert Baldus na revista Anhembi, n. 87, S. Paulo 1957, pp. 551-555, e na Revista do Museu Paulista, N. S., XI, S. Paulo 1959, pp. 275-279; e de Hans Becher na Zeitschrift für Ethnologie, LXXXV, Braunschweig 1960, pp. 168-169.


* * *


RIBEIRO, Darcy

  • Cândido Mariano da Silva Rondon. Revista de Antropologia, VI, n. 2, São Paulo 1958, pp. 97-103. Bibliografia. — Reproduzido, com modificações e acréscimos, nos Anais da III Reunião Brasileira de Antropologia (1958), Recife 1959, pp.19-25.

Neste necrológio destacam-se as seguintes quatro normas estabelecidas por Rondon para a conduta do branco em relação ao índio: «Morrer, se preciso fôr, matar, nunca»; «respeito às tribos indígenas como povos independentes»; «garantir aos índios a posse das terras que habitam e são necessárias à sua sobrevivência»; «assegurar aos índios a proteção direta do Estado».
2559


* * *

page 1 of 212next »
This site is part of the Etnolinguistica.Org network.
Except where otherwise noted, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.