Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume I (Baldus 1954)

A transcrição dos 1785 verbetes do primeiro volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em julho de 2018.


BALBI, Adrien

  • Atlas ethnographique du globe, ou classification des peuples anciens et moderns d'après leur langues. Paris 1826. 41 tábuas, índice alfabético das línguas, apêndice.

A tábua XXVIII, em que Ferdinand Denis trata da "région Guarani-Brésilienne", e tábua XXIX, que se refere a "région Orénoco-Amazone ou Andes-Parime", indicam o estado da Etnografia Brasileira nas primeira metade do século XIX, dando a classificação lingüística, o nome, a situação geográfica e, em alguns casos, outras notícias das tribos conhecidas até então. No vocabulário comparativo, na tábua XLI ("Tableau polyglotte des langues américaines") há palavras das línguas de algumas dessas tribos.

Ayrosa (Apontamentos etc., p. 45) observa: "O A. não tem, evidentemente, preocupação alguma de ordem lingüística; cita pequenas relações de palavras ou vocabulários apenas para dar ao leitor idéia das línguas a que se refere".


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BALDUS (Herbert) 1899-

  • Eduard Hörhan. Germania. Wochenbeilage zur Deutschen Zeitung, 47. Jahrgang, N. 38, São Paulo 18-9-1925.

Trata da pacificação dos chamados Botocudos de Santa Catarina (Aweikoma ou Xokleng), em 1914.


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BALDUS, Herbert

Em 1927, o autor visitou êsses índios aldeados perto do Itanhaen.

As considerações precipitadas sobre a antropofagia dos antigos Guarani (p.91) já foram suprimidas na edição alemã do presente artigo, publicada como apêndice do livro "Indianerstudien im nordöstlichen Chaco", Leipzig 1931, pp. 203-216.


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BALDUS, Herbert

  • Indianerstudien im nordöstlichen Chaco. Forschungen zur Völkerpsychologie und Soziologie, XI, Leipzig 1931. ix, 230 pp. in-8º, pranchas fora do texto, apêndice, índice alfabético das matérias. Bibliografia.

Neste livro, os Chamakoko do nordeste do Chaco, que vivem caçando e colhendo frutas silvestres, são confrontados com seus vizinhos Kaskihá, tribo maskói que leva uma vida mais sedentária do que aquêles, morando em casas retangulares construídas de troncos de palmeira, lavrando a terra e criando gado-vacum. Tanto os Chamakoko como os Kashiká estiveram longo tempo, talvez por séculos inteiros, na dependência dos Mbaiá, e principalmente a cultura material dos mencionados índios maskói apresenta, ainda hoje, grandes semelhanças com a dos descendentes da chamada tribo guaikuru, que são os Kadiuéu (Kaduveo) de Mato Grosso.

O material dessa obra foi recolhido pelo autor, em 1923 e 1928. O apêndice contém ligeiras notas sôbre os Guarani do litoral paulista visitados, pelo mesmo viajante, em 1927.

Cf. os comentários de Snethlage no Baessler-Archiv 1932 e de A. W. Nieuwenhuis em Internationales Archiv für Ethnographie XXXII, 1932.


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BALDUS, Herbert

Kaskihá é o nome que dá a si própria a tribo maskói, conhecida pelos seus vizinhos brancos e na literatura sob o nome de Guaná. Como êste último nome, porém, causou freqüentes equívocos com a tribo aruak homônima que, antigamente, vivia perto dos Kaskihá, no nordeste do Chaco, e mais tarde na parte mato-grossense do vale do Paraguai, o autor recomenda designar a mencionada tribo maskói pelo nome que ela mesmo se dá. O presente trabalho contém uma bibliografia das línguas da família maskói e um vocabulário Kaskihá coligido pelo autor em Puerto Satre, no ano 1928.


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BALDUS, Herbert

O grupo samuko compreende alguma tribos lingüìsticamente parentes, do nordeste do Chaco, cujos atuais representantes principais são Chamakoko. Depois de tratar sinòpticamente da história e etnografia dêsse grupo que, naturalmente, tinha e tem muitas relações com seus vizinhos mato-grossenses, o autor reproduz contribuições à lingüística samuko extraídas de fontes antigas e modernas, discute o problema da mudança do som e apresenta notas gramaticais, um texto e um vocabulário comparativo dos dialetos chamakoko consistindo de 538 números.


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BALDUS, Herbert

O autor emprega o têrmo "mãe comum" (Allmutter) para introduzir na mitologia a divisão das supremas divindades de sexo feminino em mães comuns e mães primárias, querendo representar, assim, uma ampliação do conceito de mãe primária (Urmutter) e indicar que não abrange sòmente a noção de uma divindade criadora, como ainda da única soberana do universo, a personificação feminina da onipotência. O presente artigo mostra as semelhanças da mãe comum na tradição dos Kágaba, da Serra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, e dos Tumerahá, do Chaco nordésteo, portanto, de duas tribos que vivem muito distantes uma da outra e cujas culturas diferem profundamente.


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BALDUS, Herbert

  • Ligeiras notas sobre os indios Tapirapés. Revista do Arquivo Municipal XVI, São Paulo 1935, pp.103-112.

Texto duma conferência realizada pelo autor, poucos dias após o regresso de sua visita àquela tribo tupi, que mora ao norte do rio Tapirapé, afluente da margem esquerda do Araguaia. A altura média do corpo não é 1,65m., como disse à página 107, mas, entre 1,50m. e 1,60m.


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BALDUS, Herbert

Em maio e junho de 1933, o autor estêve entre os Kaingang do Toldo das Lontras, perto da cidadezinha de Palmas no sul do estado do Paraná. Colheu o presente vocabulário, de 250 números, da bôca dum velho chefe dêsses índios. Para fins comparativos acrescentou-lhe os têrmos correspondentes do dicionário kaingang organizado por Frei Mansueto Barcatta de Val Floriana.


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BALDUS, Herbert

  • Licocós. Espelho nº 21, Rio de Janeiro, Dezembro de 1936, p. 13 e 3 figuras.

Descrição de bonecas de barro modeladas pelas mulheres karajá do Araguaia.


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BALDUS, Herbert

  • Ligeiras notas sobre duas tribos tupis da margem paraguaya do Alto Paraná. Revista do Museu Paulista XX, São paulo 1936, pp.749-756. Bibliografia.

Em setembro de 1933, o autor fêz uma expedição à hinterlândia do pôrto Nhacundaí, para entrar em relações com o grupo nordésteo dos Guaiaki, até então não atingido. No presente artigo descreve seu encontro com êsses índios, aos quais se refere com mais detalhes na sua "Sinopse da cultura guayakí", Sociologia V, S. Paulo 1943, pp.147-153 e 268; e num artigo escrito em colaboração com A. Métraux, no Handbook of South America Indians, I, Washington 1946, pp. 435-444.

Em novembro do mesmo ano, o autor visitou os Chiripá domiciliados perto de Honehau. Dá, aqui, algumas notícias dêsses índios e, também dos Baticola e Guaianá, que freqüentemente são designados, com os Chiripá, pelo nome comum de Kainguá. Segundo vários informes, grupos kainguá são encontrados, também, no território brasileiro adjacente.


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BALDUS, Herbert

Em 1934, o autor fotografou e mediu as figuras descritas neste trabalho. São pintadas com ocre vermelho numa parede de arenito branco, na borda escaparda da Chapada de Mato Grosso. Representam anta e onça, veados, coatis, tatus, urubus, ema, seriemas e sapos ao lado de palmeiras, fileiras de bicones, círculos concêntricos e outros desenhos. A respeito da figura 21, na estampa 11, descrita no presente estudo como "homem em pé em cima de uma anta", o autor pede licença para comunicar que considera, hoje, essa figura "uma onça assaltando uma anta".

O tamanho e estilo dêsses retratos de animais talvez levem à suposição de que procedem dos índios da região, os Bororo. Nas aldeias dessa tribo, as crianças e os adultos ainda gostam de desenhar animais na areia e, sempre, em tamanho natural. Dizem, porém, que nada sabem da existência das mencionadas pinturas rupestres e obras semelhantes.

É digno de nota estarem as pinturas de Sant'Ana da chapada colocadas em lugar de difícil acesso e apresentarem, ainda, a particularidade da sua altura acima do chão, o que implica na montagem de andaimes para a sua execução.

Para fins comparativos, as estampas reproduzem, além de fotografias das pinturas rupestres, desenhos a lápis, feitos pelo Bororo.


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BALDUS, Herbert

  • Ensaios de Etnologia Brasileira. Prefacio de Affonso de E. de Taunay. Biblioteca Pedagógica Brasileira, série 5ª: Brasiliana, vol. 101. São Paulo 1937, 346 pp. in-8º, índices alfabéticos de matérias, tribos e autores, 1 fac-simile e 32 figuras em pranchas fora do texto. Bibliografia. Os seguintes ensaios apareceram, também, em língua alemã: "A sucessão hereditária do chefe entre os Tereno" (Ethnologischer Anzeiger, Bd. IV, Stuttgart 1935, pp. 38-42); "Os grupos de comer e os grupos de trabalho do Tapirapé" (Pindorama, 1. Jg., Heft 2/3, S. Paulo 1937, pp.1-11); "A mudança de cultura entre índios no Brasil" (Archiv für Anthropologie und Völkerforschung, N.F., Bd. XXIV, Heft 3/4, Braunshweig 1938, pp.170-189).

O autor estuda, principalmente, problemas sociais e religiosos de várias tribos do Brasil Meridional e Central visitadas por êle nos anos de 1933 a 1935, a saber: dos Kaingang, Tereno, Bororo, Karajá e Tapirapé. O livro foi classificado por Alfred Métraux, no Handbook of Latin American Studies: 1938, Cambridge, Massachussetts, 1939, nº 358, como "important contribution to our knowledge to South American ethnology".

Cf. também as apreciações de Robert Lehmann-Nitsche (Archiv für Anthropologie und Völkerforschung, N. F, XXIV pp. 296-297), Raimundo Morais (À margem do livro de Agassiz, São Paulo, s.a. [1939], pp. 125-126), Nelson Werneck Sodré (O que se deve ler para conhecer o Brasil, Rio de Janeiro 1945, p. 173) e Estevão Pinto (Bulletin Bibliographique etc., Recife 1952, p. 8).


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BALDUS, Herbert

Material lingüístico, mitológico e sociológico colhido pelo autor, em 1934, da bôca dum velho Tereno, chefe da aldeia Mureira, situada perto de Miranda, no sul de Mato Grosso. O presente trabalho contém, além de textos em tereno com tradução interlinear, um vocabulário comparativo dessa língua aruak, uma lista de designações de parentesco, um parágrafo sôbre os números e o modo de contar e um comentário à monografia "Guaná", de Max Schmidt.


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BALDUS, Herbert

Estuda a possibilidade de identificar a tribo tupi dos Arawine, mencionada por Herrmann Meyer, com a tribo tupi dos Ampaneá, a respeito da qual o autor foi informado pelos Tapirapé em 1935, quando visitou êstes índios do vale do afluente homônimo do Araguaia.


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BALDUS, Herbert

  • A necessidade do trabalho indianista no Brasil. Revista do Arquivo Municipal LVII, São Paulo 1939, pp.139-150. Ligeiramente modificado e precedido por um resumo em inglês, o texto foi reproduzido sob o título "Problemas indigenistas no Brasil" na revista "América Indígena", IV, México 1944, pp.9-18. De lá foi transcrito, sob êste mesmo título, no Boletim Geográfico, ano V, n.54, Rio de Janeiro 1947, pp. 677-683.

Aula inaugural da cadeia de Etnologia Brasileira, da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, mostrando a necessidade da colaboração do Govêrno do Brasil com a Etnologia, no tocante à administração dos índios.


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BALDUS, Herbert, e WILLEMS, Emilio

  • Dicionário de Etnologia e Sociologia. Biblioteca Pedagógica Brasileira, série 4ª: Iniciação científica, vol. 17, São Paulo 1939, 245 pp. in-8º, índice alfabético dos autores, 1 prancha no frontispício. Bibliografia.

Além das explicações dos principais têrmos de Etnologia e Sociologia em geral, contém êste livro muitas referências aos índios do Brasil, e numerosos verbetes concernentes à etimologia e ao significado de têrmos índios usados na Etnologia Brasileira.

Cf. o comentário de Sergio Milliet em "O Estado de S. Paulo", 26 de Julho de 1939, transcrito na Revista do Arquivo Municipal LIX, São Paulo 1939, pp.111-113.


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BALDUS, Herbert

  • Herrschaftsbildung und Schichtung bei Naturvölkern Südamerikas. Archiv für Anthropologie, Völkerforschung und kolonialen Kulturwandel, N. F., Bd. XXV, Braunschweig 1939, pp.112-130.

No primeira parte do presente trabalho o autor estuda o papel do chefe entre os Guaiaki e Chamakoko do Paraguai e os Tapirapé do Brasil Central, baseando-se, a respeito dos Guaiaki, em comunicações que lhe foram feitas por F. C. Mayntzhusen, e a respeito das outras tribos em suas próprias observações.

Na segunda parte Baldus afirma haver na América do Sul, como em outras partes do mundo, povos naturais cuja estratificação social é produzida pela estratificação étnica, citando várias tribos do Brasil e de outros territórios limítrofes em que a camada governada se formou por membros de outas tribos e se distingue da camada superior pela atitude subordinativa, pelos traços físicos menos finos, pelas maneiras mais grosseiras e coisas semelhantes. A enumeração dessas tribos atesta que tantos captores como lavradores podem ser os senhores. É minuciosamente estudado um caso da segunda metade do século XVIII, a saber, a relação simbiótica entre os Guaná, lavradores sedentários, e os Guaikuru, captores que se tornaram, mais tarde, pastores. Os dados sôbre estas tribos mato-grossenses apoiam-se em relatórios espanhóis e portuguêses.

O autor publicou a versão portuguêsa da segunda parte (pp.116-130) na sua introdução ao livro "Os Caduveo" de Boggiani, pp.16-36.

Cf. o comentário de Robert H. Lowie no Handbook of South American Indians, V. p. 349.


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BALDUS, Herbert

Trata do comportamento recomendável ao etnógrafo na sua aproximação dos índios e na coleta de dados.

Cf. o comentário de A. Métraux no Handbook of Latin American Studies: 1940, Cambridge, Massachusetts, 1941, nº 518.


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BALDUS, Herbert

  • O conceito de tempo entre os índios do Brasil. Revista do Arquivo Municipal LXXI, São Paulo 1940, pp.87-94. Bibliografia.

Trata, principalmente, da determinação de tempo entre os Tapirapé e os antigos Tupi.

Plinio Ayrosa (Apontamentos para a Bibliografia da língua tupi-guarani, São Paulo 1943, p. 45) qualifica êste artigo como "excelente trabalho de pesquisa histórico-lexicográfica."


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