Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Volume I (Baldus 1954)

A transcrição dos 1785 verbetes do primeiro volume da Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira foi concluída em julho de 2018.


ALBISETTI, Cesar

  • Estudos e notas complementares sôbre os Boróros Orientais. Contribuições Missionárias. Publicações na Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia, N. 2, Rio de Janeiro 1948, pp.3-24, 2 gráficos no texto e 1 gráfico fora do texto.

Êstes valiosos acréscimos ao livro intitulado "Os Boróros Orientais", dos padres Antonio Colbacchini e Cesar Albisetti, referem-se à organização social, têrmos de parentesco, idioma, cantos, lendas e às diferenças de enfeites de cabeça segundo os clãs.


* * *


ALBUQUERQUE, Miguel Tenorio d'

  • Lingua Geral, Tupi, Guarani. Revista do Museu Paulista XVI, São Paulo 1929, pp.445-488. Bibliografia.

No início de seu trabalho, o autor escreve (p. 447): "Vamos dividir a presente memoria em três partes. Na primeira tentaremos provar que nunca houve entre os Ameríncolas uma língua que pudesse gozar dos fôros de uma Língua Geral, pelos com a acepção que se quer emprestar. Na segundada procuraremos mostrar que nunca existiu uma nação, tribo ou língua chamada Tupy ou tupi. Na terceira provaremos a língua mais geral entre os Ameríncolas foi e é o Avánhee͂, vulgarmente chamado Guarani.

O artigo é, essencialmente, uma polêmica contra futilidades. Mas alguns de seus dados, bem como os "Apontamentos para a Gramática Avá-Nhee͂ (ibidem, pp.329-443), possam interessar alguns tupinólogos.

Eldeweiss (Tupís e Guaranís, Bahia 1947,p.175) escreve: "É flagrante o seu despreparo no assunto versado."


* * *


ALBUQUERQUE, Severiano Godofredo d'

  • Relatorio dos serviços executados em Campos-Noros da Serra do Norte. Commissão de linhas telegraphicas estrategicas de Matto-Grosso ao Amazonas. Publicação nº37. Rio de Janeiro, (1916), pp.135-147.

Contém alguns ligeiros dados acêrca dos índios da Serra do Norte e uns poucos vocábulos de sua língua.


* * *


ALDINGER

  • Zur Ehrenrettung der Botokuden. Süd - und Mittel - Amerika VI, Berlin 1913, pp.39-41, 9 figuras no texto.

Refere-se aos chamados Botocudos de Santa Catarina (Xokré, Bugres, Aweikoma). Contém observações psicológicas sôbre alguns dêsses índios com que o autor conviveu.


* * *


ALENCASTRE, José Martins Pereira d'

  • Memoria chronologica, historica e corographica da provincia do Piauhy. Revista do Instituto Historico e Georaphico Brazileiro, XX, Rio de Janeiro 1857, pp.5-164.

As páginas 22-31 tratam especialmente das antigas tribos do Piauí, havendo também, em outros lugares da presente monografia, referências a elas.


* * *


ALENCASTRE, J.M.P de

  • Annaes da Provincia de Goyaz. Revista do Instituto Historico, Geographico e Ethnographico do Brasil XXVII, 2, Rio de Janeiro 1864, pp.5-186 e 229-349; ibidem XXVIII, 2, Rio de Janeiro 1865, pp.5-167.

Contém interessantes referências aos índios de Goiás.


* * *


ALLEMÃO, Manoel Freire

  • Mesmerismos entre os indígenas americanos. O Progresso Medico I, Rio de Janeiro 1876, pp. 55-56. Medicos indigenas, ibidem, pp. 82-84.

Ligeiras notas sôbre pajelança e pajés sem referência a determinada tribo. Foram extraídas dos apontamentos tomados pelo autor "quando comissionado na província do Ceará" (ib.p. 52).


* * *


ALLEMÃO, Freire

  • O cauhim, O Progresso Medico I, Rio de Janeiro 1976, pp. 494-497.

Ligeiras notas sôbre esta "substância alcoolizada que usam os indigenas do norte do Brasil (p. 494) e sôbre costumes ligados ao seu consumo.


* * *


ALLEN, Paul H.

  • Indians of Southeastern Colombia. The Geographical Review XXXVII, n. 4, New York 1947, pp.567-582, 1 mapa e 16 figuras no texto.

Ligeiras notas sôbre as tribos da região compreendida entre o Uaupés e seu afluente Papuri, portanto, parte da fronteira da Colômbia com o Brasil. Contém dados referentes ao ano de 1945.


* * *


ALMADA, Manoel da Gama Lobo de

  • Descripção relativa ao rio Branco e seu território. Anno de 1787. Revista Trimensal do Instituto Historico, Geographico e Ethnographico do Brasil XXIV, Rio de Janeiro 1861, pp.617-683.

Contém, além de números especificados dos índios aldeados nas povoações do rio Branco (pp.669-674), dados acêrca das seguintes "nações de gentilidade": "Paravilhanos", "Aturahis", "Amaribás", "Caripunas", "Caribes", "Macuxis", "Oapixanas", "Oaycás", "Acarapis", "Tucurupis", " Arinas", "Quinhaus", " Procotos", "Macus", "Guimaras", "Aoquis", "Tapicaris,"Saparás", "Pauxianas", "Paraunas", "Chaperos" e "Guajuros" (pp.674-679).


* * *


ALMEIDA, A. Ozorio de

O autor chega às seguintes conclusões (p. 8): "Untados de urucu se acham os índios tão bem protegidos contra a ação actínea do sol como se estivessem vestidos com tecidos espessos, qual usam as tribos do Sahara. Entretanto por se acharem nús, o ar circula livremente em tôrno do corpo, roubando calor pelo seu contacto e acelerando a evaporação do suor. Si se expõe ao sol, é propriedade do urucu acime verificada, não absorver senão muito moderadamente o calor solar, refletindo os raios vermelhos e também os raios caloríficos; daí não exigir o homem branco ou pouco pigmentado, untado de urucu, um excesso de sudação, como se dá com o negro, nessas circunstâncias. Sendo dadas essas propriedades do urucu, que as nossas experiências mostram, e considerando-se a generalidade de seu uso entre os índios tropicais da América, pensamos que se devem considerar seu emprêgo, não como simples adôrno, mas como meio eficaz de proteção contra a luz e o calor tropicais."
Discordo do autor, pois, a suposta "generalidade" do uso do urucu só pode referir-se à vasta difusão geográfica, mas não ao emprêgo diário, nem à aplicação ao corpo inteiro e a todos os indivíduos. Nas tribos que conhecemos, só determinadas pessoas untam-se de urucu, geralmente só em determinadas partes do corpo, e nunca todos os dias.


* * *


ALMEIDA, A. Paulino de

Trata da fundação da aldeia de São João de Queluz em 1800, da qual se originou a atual cidade de Queluz no Estado de São Paulo. Duma lista de habitantes daquela aldeia, lista feita pelo Pe. Francisco das Chagas Lima e guardada no Arquivo do Estado de São Paulo, consta que dos 86 índios "extrahidos do Sertão" no mês de abril de 1800, 34 estavam mortos e 7 fugitivos no dia 14 de dezembro do mesmo ano (pp.62-64).


* * *


ALMEIDA, Candido Mendes de 1818-1881

  • Notas para a historia patria. 4º artigo. Porque razão os indigenas do nosso litoral chamavam os francezes "Maír" e aos portuguezes "Peró"? Revista Trimensal do Instituto Historico, Geographico e Ethnographico do Brasil XLI, parte segunda, Rio de Janeiro 1878, pp.71-141.

Ventila as opiniões de diversos autores sôbre a origem dêsses têrmos, chegando a relacionar "maír" com o nome de Maire-Monan, herói civilizador tupinambá, e "peró" com a conjunção portuguêsa, atualmente substituída por "mas".


* * *


ALMEIDA, Eduardo de Castro e

  • Inventerio dos Documentos relativos ao Brasil existentes no Archivo da Marinha e Ultramar de Lisboa, organizado para a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, I-V: Bahia 1613-1807; VI-VIII: Rio de Janeiro 1616-1755. Rio de Janeiro 1913-1936.

Menciona numerosos documentos sôbre índios do Brasil (cf. sob "Índios" no índice de assunto de cada volume).


* * *


ALMEIDA, Francisco José de La-Cerda e 1753-1789

  • Diario da vigem do Dr. Francisco José de La-Cerda e Almeida pelas Capitanias do Pará, Rio Negro, Matto-grosso, Cuyabá e S. Paulo, nos annos de 1780 a 1790. S. Paulo 1841. 89 pp., 1 p. de errata, in-4º.

Não tendo o autor interêsse em etnografia, suas referências aos índios das zonas por êle percorridas são escassas e ligeiras.
Em 1944, o Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, publicou como volume XVIII da "Biblioteca Popular Brasileira", os "Diários de viagem" de
Francisco José de La-Cerda e Almeida, com prefácio de Sérgio Buarque de Hollanda, 266 pp. in-8º. Nesta publicação, p. 265, há a seguinte explicação: "O texto dos diários de viagem no interior do Brasil, inserto no presente volume, apoia-se fielmente na edição publicada em 1841, por ordem da Assembléia Legislativa da então província de S. Paulo. Não é reproduzido o diário de viagem pelo Rio Branco que, figurando às págs.9-12 da referida edição, não é de autoria de Lacerda, tendo sido redigido pelo Capitão Ricardo Franco de Almeida Serra e pelo Dr. Antonio Pires Pontes. Omite-se igualmente, na presente edição, o diário de Vila-Bela a S. Paulo incluido às págs.43-62 da edição citada, e que constitue apenas uma versão mais concisa do que vem às págs.62-89 e está reproduzido, no presente volume, às págs.59-100". - Êste último diário omitido foi transcrito na Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro LXII, parte I, Rio de Janeiro 1900, pp.35-59.


* * *


ALMEIDA, Francisco José de Lacerda e

  • Memoria a respeito dos rios Baures, Branco, da Conceição, de S. Joaquim, Itonamas e Maxupo; e das três missões da Magdalena, da Conceição e de S. Joaquim. Revista Trimensal de Historia e Geographia ou Jornal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro XII (1849), segunda edição, Rio de Janeiro 1874, pp.106-119. (Essa Memória foi transcrita nos "Diários de Viagem" do mesmo autor, Rio de Janeiro 1944, pp.109-126.)

Trata da vida dos índios naquelas três missões da parte boliviana da bacia do Guaporé, no último quartel do século XVIII, portanto, depois da expulsão dos jesuítas.


* * *


ALMEIDA, Hermenegildo Antonio Barbosa d'

  • Viagem às villas de Caravellas, Viçosa, Porto-Alegre, de Mucury, e aos rios Mucury e Peruhipe. Revista Trimensal de Historia e Geographia ou Jornal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro VIII (1846), segunda edição, Rio de Janeiro 1867, pp.425-452.

Contém referências aos Puri, Pataxó e Botocudos. Nas páginas 451-452 há uma pequena lista de palavras do idioma dos "índios das brenhas de Mucury", isto é, dos Botocudos.


* * *


ALMEIDA, João Mendes de 1831-1898

  • Algumas notas genealogicas. Livro de Familia. São Paulo 1886. ix, 499 pp. in-8º.

Contém um capítulo intitulado "Os indigenas do Brazil" (pp. 285-326) que está cheio de informações absurdas, apesar das numerosas fontes citadas. O etnólogo não precisa lê-lo.
Mas, algumas das sugestões etimológicas, espalhadas em vários lugares do livro, talvez mereçam o interêsses dos tupinólogos.
Convém lembrar, ainda, que o autor é um dos maiores brasileiros que, na segunda metade do século XIX, em oposição a Varnhagen e outros, demonstraram simpatia pelo índio.
Cf. os comentários de Plínio Ayrosa (Apontamentos para a Bibliografia da língua tupi-guarani, p.170).


* * *


ALMEIDA, Renato 1895-

  • História da Música Brasileira. Segunda edição correta e aumentada com 151 textos musicais. Rio de Janeiro 1942. xxxii, 529 pp. in-8º, 6 figuras em 3 pranchas, índice dos textos musicais, índice analítico. Bibliografia.

As páginas 7-8 tratam da influência do índio na música popular brasileira, as páginas 22-24 do pendor musical dos índios brasileiros, as páginas 24-29 de algumas características de sua música, as páginas 29-34 de suas danças e as páginas 34-58 dos seus instrumentos musicais. 10 textos musicais acompanham êste interessante estudo.


* * *


ALONSO, S. Perea y 1858-1946

  • Filología comparada de las lenguas y dialectos arawak. Instituto de Estudios Superiores de Montevideo, Sección Filología y Fonética Experimental. Tomo I, Montevideo 1942, cx, 689 pp. in-8º, 2 mapas fora do texto. Bibliografia.

Apesar de não considerar numerosos trabalhos modernos a respeito do assunto e de conter erros de diferentes espécies, a presente obra é contribuição importantíssima para o estudo dos idiomas daquela grande família linguística, também chamada Aruak.
O primeiro tomo trata da língua e de vários outros traços culturais das antigas tribos do território da atual República do uruguai (pp. xiii-xcvi) e, baseado nos trabalhos de Schultz, Schumann e Quand, do arawak das Guianas, no século XVIII.


* * *

This site is part of the Etnolinguistica.Org network.
Except where otherwise noted, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.