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Curt Nimuendajú papers (1914-1952) at the Bancroft Library (UC Berkeley)

(20 Oct 2019 21:50, by kawinakawina)

flickr:23291670633

Em mensagem enviada recentemente à lista Etnolingüística, o linguista Lev Michael, da Universidade da Califórnia em Berkeley, compartilha uma excelente dica: a existência de manuscritos de Curt Nimuendajú sobre os "índios Apinagé, Canella, Cayapo, Masakarí, Ramkokamekrá, Sherente, Tapajó e Tucuna" em uma biblioteca da instituição, a Bancroft Library. A coleção parece ter pertencido ao antropólogo Robert H. Lowie, grande incentivador, colaborador e divulgador do trabalho de Curt Nimuendajú nos EUA, responsável pela tradução e publicação em inglês de várias obras deste, incluindo as monografias The Apinayé (1939), The Šerente (1942) e The Eastern Timbira (1946).

A coleção (vide ficha catalográfica abaixo) consiste em quatro caixas: a Caixa 1 inclui informações biográficas e correspondência com Robert H. Lowie e Alfred Métraux; as Caixas 2-4 incluem escritos de Curt Nimuendajú e notas de campo. Lev lembra que "estos materiales serían importantes en cualquier caso, pero […] podrían ser especialmente valiosos después del trágico incendio de 2018 en el Museo Nacional." De fato: como mencionei antes, a fértil correspondência de Nimuendajú "com pesquisadores brasileiros e internacionais, através da qual ele compartilhava hipóteses, descobertas, dados linguísticos, fotos e esboços de mapas, fornece inúmeras pistas sobre a natureza do material que ele deixou inédito", ajudando a preencher lacunas resultantes da perda de seu acervo no Museu Nacional.

Segue abaixo a mensagem de Lev, na íntegra:


Curt Nimuendajú papers (1914-1952) at the Bancroft Library (UC Berkeley)

(19 de out 13h31min)

Estimados colegas,

Recientemente me enteré de la siguiente colección de materiales que se encuentran en la Bancroft Library, aquí en UC Berkeley. Estos materiales serían importantes en cualquier caso, pero imagino que podrían ser especialmente valiosos después del trágico incendio de 2018 en el Museo Nacional.

A continuación he incluido el registro de la biblioteca para la colección.

Saludos,
Lev

Lev Michael
Associate Professor
Department of Linguistics
University of California, Berkeley


  • Nimuendajú, Curt, creator.
  • Title Curt Nimuendajú papers, 1914-1952.
  • MANUSCRIPT
  • Description 1.6 linear feet (4 boxes)
  • Organization Box 1: Biographical information, correspondence with Robert H. Lowie and Albert Métraux, writings and field notes by Nimuendajú. Boxes 2-4: Writings and field notes.
  • Access COLLECTION STORED OFF-SITE: Advance notice required for use.
  • Summary Contains research notes and articles on the Apinagé Indians, Canella Indians, Cayapo Indians, Masakarí Indians, Ramkokamekrá Indians, Sherente Indians, Tapajó Indians, and Tucuna Indians.
  • Preferred Citation: Curt Nimuendajú papers, BANC MSS 2019/169, The Bancroft Library, University of California, Berkeley.
  • Language In English, German, and Brazilian Indigenous languages
  • Biography Curt Nimuendajú was born in Jena, Germany in 1883. Unable to afford a university education, he emigrated to Brazil in 1903, where after a couple of years he began study on the Guaraní people. Over the course of forty years of fieldwork he became a specialist on numerous indigenous peoples of interior Brazil. Nimuendajú died during an ethnographic survey in 1945. The Curt Nimuendajú archives were housed at the National Museum of Brazil. They were completely destroyed by fire in September, 2018.
  • Provenance Transferred from the John Howland Rowe papers (BANC MSS 2006/175).
  • Subject Nimuendajú, Curt — Archives.
    • Apinagé Indians.
    • Canella Indians.
    • Cayapo Indians.
    • Sherente Indians.
    • Tapajó Indians.
    • Tucuna Indians.
    • Ethnology — Brazil.
    • Ethnology — Fieldwork — Brazil.
    • Indians of South America — Brazil.
  • Genre/Form
    • Manuscripts for publication.
    • Field notes.
  • Added Author
    • Lowie, Robert Harry, 1883-1957, correspondent.
    • Métraux, Alfred, 1902-1963, correspondent.
  • Direct Link http://oskicat.berkeley.edu/record=b24981168~S1

Contribuindo diretamente com o Centro de Documentação de Línguas Indígenas do Museu Nacional/UFRJ

(05 Aug 2019 02:14, by kawinakawina)

Temos a satisfação de divulgar, por sugestão da linguista Marília Facó Soares, o lançamento de uma iniciativa institucional visando ao fortalecimento do Centro de Documentação de Línguas Indígenas (CELIN) do Museu Nacional/UFRJ. Divulgada inicialmente em 3 de julho de 2019, a iniciativa inclui as seguintes estratégias: "(i) reconstituição de acervo sob forma digital; (ii) doação de livros, periódicos, materiais linguísticos textuais, materiais em suporte físico; (iii) ajuda financeira." Segue na íntegra o texto.


NOTA SOBRE O CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS DO MUSEU NACIONAL/UFRJ (CELIN-MN/UFRJ)

Amigas e amigos,

Antes de tudo, o Museu Nacional Vive (#MuseuNacionalVive) e, como ele, também vive o Centro de Documentação de Línguas Indígenas do Museu Nacional – CELIN-MN/UFRJ, que é um dos pilares da Linguística no Museu Nacional/UFRJ. Para falar desse pilar, reporto-me, inicialmente, ao nosso outro pilar, o Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas – PROFLLIND/UFRJ, pioneiro no Brasil.

Todos sabem que o meu pertencimento institucional é o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na noite de 02 de setembro de 2018, no momento em que o prédio do Palácio do Museu Nacional era consumido pelas chamas e, com elas, uma perda incomensurável se instalava, pensei em tudo o que tínhamos, sentei-me frente ao meu computador e enviei por esta rede social uma primeira mensagem dirigida a todos. Lembro-me de ter aí me perguntado sobre o que sobrava. Pergunta a que eu mesma respondi, dizendo algo como “sobramos nós, que estamos aqui e vamos recomeçar”. Em seguida, fiz, por e-mail, uma segunda mensagem, desta vez destinada aos alunos selecionados para a Terceira Turma do Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas (PROFLLIND – MN/UFRJ), os quais acabavam de ser selecionados e, daí a cerca de duas semanas, iriam começar as suas aulas na nossa Instituição. Eu sabia que esses alunos poderiam estar vivendo o seu próprio drama, supondo, eles próprios, talvez, que o seu Curso estaria àquela altura dos acontecimentos, também, virando fumaça, juntamente com as suas esperanças de realizar e concluir o Mestrado que haviam escolhido. Como conheço internamente a Instituição Museu Nacional, os prédios que possui e as possibilidades que se apresentavam, o teor principal da minha mensagem foi (escrevo de memória): “Nosso Curso segue como o previsto, mantemos nossas salas de aula”. Hoje sei que esta pequena mensagem de esperança - que o próprio mundo real nos permitia – foi fundamental para nossos alunos (e vários dentre eles expressaram posteriormente isso). Todos viajaram para o Rio de Janeiro, para o Museu Nacional/UFRJ, todos estão conosco. E hoje o nosso Curso está bem, obrigada. Nosso alunado é majoritariamente indígena e segue em frente, com resultados positivos e recursos. Não foi nada fácil chegar até aqui, mas chegamos. E vamos em frente. Diante do cenário nacional, isso não é pouca coisa. E hoje, se escrevo, não é propriamente sobre o nosso Mestrado. É sobre o nosso Centro de Documentação de Línguas Indígenas –CELIN-MN/UFRJ.

De existência fundamental, o CELIN-MN/UFRJ é especializado na documentação de materiais linguísticos textuais, sonoros e visuais referentes às línguas indígenas e variedades do português do Brasil. Possui o CELIN produção bibliográfica associada principalmente à Teoria Linguística, Educação Indígena, Antropologia, Arqueologia, Literatura e Filosofia. Por ser um Centro de Documentação, apresenta uma face como biblioteca e outra como arquivo. Fundamental para todos os que se ocupam de Linguística e Línguas Indígenas e com diálogos estabelecidos com outras áreas de interface, o CELIN-MN/UFRJ é um ponto forte dentro e fora do país, em face de um altíssimo número de títulos e documentos, e consulta por parte de professores, alunos, pesquisadores – indígenas e não indígenas, brasileiros, estrangeiros. Após o incêndio em 02 de setembro de 2018, elaboramos várias estratégias para seguir adiante. Entre essas, menciono aqui três: (i) reconstituição de acervo sob forma digital; (ii) doação de livros, periódicos, materiais linguísticos textuais, materiais em suporte físico; (iii) ajuda financeira. E aqui os que realmente se importam com o CELIN-MN/UFRJ podem colaborar. Indicamos a seguir os tipos de colaboração:

RECONSTITUIÇÃO DE ACERVO DO CELIN SOB FORMA DIGITAL (Reconstituição destinada ao próprio CELIN-MN/UFRJ)

Enviar a sua colaboração por e-mail diretamente para os seguintes endereços de e-mail na mesma mensagem: rb.jrfu.dca|ailiram#rb.jrfu.dca|ailiram e moc.liamg|catsircl#moc.liamg|catsircl (endereços, respectivamente, da responsável e da bibliotecária do CELIN-MN/UFRJ). Essa colaboração pode ser feita quer pelos usuários do CELIN-MN/UFRJ que digitalizaram materiais antes do incêndio de 02 de setembro de 2018, quer por todo pesquisador que, solidário com o CELIN-MN/UFRJ, queira ajudá-lo a constituir um novo acervo sob forma digital.

DOAÇÃO AO CELIN-MN/UFRJ DE LIVROS, PERIÓDICOS, MATERIAIS LINGUÍSTICOS TEXTUAIS, MATERIAIS EM SUPORTE FÍSICO (CDs/DVs, Fotografias, Mapas, Microfichas)

Realizar a sua doação pelos Correios. Assim:

Centro de Documentação de Línguas Indígenas – CELIN-MN/UFRJ –LINGUÍSTICA – Setor de Protocolo
Marília Lopes da Costa Facó Soares (responsável)
Museu Nacional - prédio da Biblioteca
Av. Gen. Herculano Gomes, s/n
Quinta da Boa Vista - São Cristóvão
Rio de Janeiro - RJ
CEP 20941-360

AJUDA FINANCEIRA AO CELIN-MUSEU NACIONAL/UFRJ:

Passo 1: fazer um depósito identificado com os seguintes dados:

Associação Amigos do Museu Nacional
Banco do Brasil (001)
Agência: 3010-4
Conta: 60618-9
CNPJ: 30024681/0001-99

Passo 2: passar um e-mail com duplo endereçamento, a saber: (i) rb.gro.nmas|lanoicanuesumsos#rb.gro.nmas|lanoicanuesumsos ; (ii) rb.jrfu.dca|ailiram#rb.jrfu.dca|ailiram

Importante: em seu e-mail, anexar o comprovante digitalizado do depósito, com o valor depositado claramente discriminado; deixar claro, no e-mail, que o depósito se dá em favor do CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS – MUSEU NACIONAL/UFRJ (CELIN-MN/UFRJ).

Agradecemos sinceramente a todos os que são e querem ser solidários ao CELIN-MN/UFRJ, aos que já estão colaborando e aos que vierem a colaborar. Ao mesmo tempo, aproveitamos a oportunidade para afirmar que não estamos vivendo em torno de resgate de papel queimado e de cinzas. E que não estamos fazendo parte de nenhuma iniciativa que constitua, na prática, migração virtual de um acervo do Museu Nacional para página vinculada a uma outra instituição ou diferentemente localizada, uma vez que o CELIN está vivo e é no Museu Nacional/UFRJ que se dá a sua existência.

Abraços a todas e todos,

Marília
https://www.facebook.com/marilia.soares.374/posts/10214503818534700


Apontamentos sobre os Kaingáng (1911), Ofayé (1913), Múra (1926) e Mawé (1923)

(05 Aug 2019 00:23, by kawinakawina)

O manuscrito Unveröffentlichte Angaben über die Kaingang, Opayé, Múra, Maué (Nimuendajú 1926) reúne apontamentos datilografados em português e alemão com informações coletadas em diferentes épocas junto aos Kaingáng (p. 1-10, 1911), Ofayé (p. 11-15, 1913), Múra (p. 16-19, 1926) e Mawé (p. 20, 1923). Seu conteúdo — no que diz respeito especificamente aos Kaingáng e Ofayé — coincide, em parte, com o do material publicado no livro Etnografia e indigenismo: sobre os Kaingang, os Ofaié-Xavante e os índios do Pará (Editora da Unicamp, 1993), recentemente adicionado a nossa Coleção Nicolai. Alguns trechos, no entanto, continuam aparentemente inéditos, incluindo um pequeno croqui cartográfico, uma ilustração de pintura facial Ofayé e notações musicais.

O item é valioso não somente por conter informações inéditas, mas por capturar a obra do minucioso cientista ainda em construção, com seus andaimes expostos: as anotações têm caráter eclético, misturando conteúdo em alemão e português e incluindo desenhos nem sempre mencionados no texto. Trata-se, enfim, de um fascinante rascunho, registrando dados de campo e textos em gestação. O fato de que parte do material coincide com os textos publicados em Etnografia e indigenismo, que reúne correspondência enviada ao indigenista Luiz Bueno Horta Barbosa, ilustra uma outra faceta de Nimuendajú: a do missivista prolífico, que compartilhava suas experiências, impressões e achados diretamente do campo, ou recém-chegado aos centros urbanos. Tais intersecções demonstram, uma vez mais, o potencial valor da correspondência de Nimuendajú para o preenchimento de lacunas deixadas pela destruição de seu acervo.

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O manuscrito pertencia originalmente ao espólio de Curt Nimuendajú no Museu Nacional/UFRJ, catalogado sob o número 712-G2-0007-1 (Soares 2013:430). Sua versão digitalizada foi compartilhada com a Biblioteca Digital Curt Nimuendajú em julho de 2019 pela pesquisadora Roberta de Queiroz Hesse, da USP (que a obteve, por sua vez, da equipe do CELIN em 2016).

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Material Pataxó de Curt Nimuendajú (1938) no CEDAE/IEL (Unicamp)

(22 Jul 2019 01:36, by kawinakawina)

Em uma nota anterior, discutíamos a possibilidade de que houvesse no Centro de Documentação Alexandre Eulalio do IEL/Unicamp duplicatas de itens perdidos com a destruição do CELIN/MN. De fato, este vem a ser o caso no que diz respeito à produção não publicada do Summer Institute of Linguistics, abundante no acervo do CEDAE. De Curt Nimuendajú, no entanto, o único item constante no catálogo do CEDAE é um vocabulário Pataxó, manuscrito, com a indicação de que teria sido coletado em Paraguaçu, BA, em 1938. Disponível agora em nosso acervo (cortesia da equipe do CEDAE), o vocabulário é parte do material coletado durante a expedição de Nimuendajú pelo sul da Bahia, Espírito Santo e norte de Minas Gerais entre novembro de 1938 e abril de 1939 (cf. Carvalho 1995; Edelweiss 1971; Welper 2018).

Como outros itens resultantes desta viagem, o vocabulário Pataxó viria a fazer parte do espólio de Curt Nimuendajú adquirido pelo Museu Nacional; o Guia (Soares 2013:509) lista um "vocabulario Pataso", catalogado sob o código 71200058. Curiosamente, a proveniência do manuscrito no catálogo do CEDAE é dada como sendo o Summer Institute of Linguistics, o que sugere a possibilidade (e, sempre, a esperança) de que membros do SIL teriam feito cópias de outros materiais inéditos do acervo de Nimuendajú no Museu Nacional. Para uma consulta online ao catálogo do CEDAE, clique aqui (selecione Acervo: > "CEDAE" + Fundo/Coleção: > "Línguas Indígenas"). À diretora do CEDAE, Roberta de Moura Botelho, minha gratidão por sua prontidão e boa vontade em esclarecer minhas dúvidas e facilitar o acesso a este importante manuscrito.


Lista comparativa Jabutí/Arikapú de Nimuendajú (1935) no acervo de Snethlage

(30 Jun 2019 13:10, by kawinakawina)

O acervo de Curt Nimuendajú perdido no incêndio do Museu Nacional incluía itens resultantes de sua prolífica correspondência com cientistas no Brasil e no exterior. Como sugerido antes, isto ajudaria a reconstituir parte do material, através da consulta aos acervos dos interlocutores de Curt Nimuendajú. A jornalista e pesquisadora Gleice Mere, que se dedica ao estudo e divulgação do acervo do antropólogo alemão Emil Heinrich Snethlage (1897-1939), acaba de ajudar-nos a preencher uma destas lacunas, enviando-nos uma lista comparativa Jabutí/Arikapú encontrada entre os papéis de Snethlage: um manuscrito datilografado, assinado por Curt Nimuendajú e datado "Pará, 15. Januar 1935". Trata-se, possivelmente, do original de item listado no espólio de Nimuendajú no Museu Nacional (Soares 2013:503, 508).

A lista, feita a pedido de Snethlage, compara as línguas Jabutí (Djeoromitxí) e Arikapú, que formam uma pequena família linguística de Rondônia (família Jabutí), com diversas línguas Macro-Jê (sublinhadas em vermelho) e Karíb (sublinhadas em azul). Os dados das línguas Jabutí foram enviados a Nimuendajú por Snethlage. A grande maioria das correspondências entre possíveis cognatos são com as línguas Macro-Jê, servindo de base para a hipótese, formulada originalmente por Nimuendajú, de que as línguas Jabutí seriam relacionadas às línguas Macro-Jê — uma hipótese surpreendente, por razões geográficas, mas confirmada recentemente à luz de dados e metodologia confiáveis (Ribeiro & van der Voort 2010).

Agradecemos a gentileza da família Snethlage, em permitir que o manuscrito fosse compartilhado, e de Gleice Mere, por digitalizá-lo e compartilhá-lo. O trabalho de Gleice, ao longo das duas últimas décadas, é uma verdadeira obra de repatriação, devolvendo toda uma riqueza etnográfica ao Brasil e, especialmente, aos povos indígenas de Rondônia cujos ancestrais foram visitados por Emil Heinrich Snethlage. Para conhecer mais sobre a vida e obra de Snethlage e sua correspondência com Nimuendajú, leia o fascinante e informativo artigo "Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida" (Mere 2013).


Material "Machacarí" de Curt Nimuendajú no CEDAE/IEL (Unicamp)

(29 Jun 2019 14:02, by kawinakawina)

Durante suas viagens pelo sul da Bahia, Espírito Santo e norte de Minas (1938-1939), Curt Nimuendajú visitou os Maxakali. As informações históricas e etnográficas resultantes desta visita, contidas em relatório ao SPI, foram publicadas na Revista de Antropologia (1958) por Egon Schaden, que se valeu de cópia fornecida por Darcy Ribeiro, então "etnólogo do Serviço de Proteção aos Índios". O material linguístico, por outro lado, que viria a ser parte do espólio de Nimuendajú sob a guarda do CELIN/Museu Nacional, só foi publicado em 1996 pelo linguista Gabriel Antunes de Araújo (então na Unicamp, hoje na USP), com base em cópia fornecida pelo Museu Nacional, através de Marília Facó Soares. Em comunicação por email (jun/2019), Araújo esclarece que a cópia teria sido consultada no CEDAE, o Centro de Documentação Alexandre Eulalio do IEL/Unicamp, o que reforça a possibilidade (e a esperança) de que haja, no mesmo CEDAE, cópias de outros itens perdidos com a destruição do CELIN/MN.


Urubú phonemics (Kakumasu 1964); Urubú phonology (Kakumasu 1968)

(29 Jun 2019 07:30, by kawinakawina)

Entre os materiais produzidos pelo SIL (Summer Institute of Linguistics) e arquivados no CELIN/MN, incluem-se, além de obras publicadas (e, portanto, mais amplamente disponíveis), relatórios de pesquisa e artigos inéditos, de circulação limitada. É o caso de trabalhos como Urubú phonemics (Kakumasu 1964) e Urubú phonology (Kakumasu 1968), compartilhados por Gustavo Godoy em julho de 2018 (portanto, bem antes do incêndio).

Itens assim, de cunho eminentemente descritivo, que vinham circulando por décadas como cópias xerox, tendem a ter maior valor documental que muitos itens publicados, sujeitos a modismos teóricos passageiros como a tagmêmica (que foi extremamente popular entre os linguistas missionários do SIL) e a gramática gerativa transformacional. Para me limitar a um caso que conheço bem: no que diz respeito ao Karajá, pequenos artigos inéditos, mimeografados, como The phonemes of the Karajá language (Fortune & Fortune 1963) e Karajá Grammar (Fortune & Fortune 1964), são contribuições mais valiosas e duradouras que, por exemplo, Gramática karajá: Um estudo preliminar em forma transformacional (Fortune 1973), que se vale de poucos dados para justificar a teoria.


Vocabulários Botocudo (Borum, Krenák) de Curt Nimuendajú (1939)

(29 Jun 2019 06:40, by kawinakawina)

Atendendo ao nosso apelo, o linguista Mário André Coelho da Silva (UFMG) compartilhou com a Biblioteca Digital Curt Nimuendajú cópias de vários vocabulários inéditos de dialetos Botocudo (Borum, Krenák) coletados por Curt Nimuendajú, incluindo um manuscrito datilografado do dialeto Aranã, assinado pelo autor, datado "Itambacury, 14. März 1939".

O material foi escaneado por Mário e Andrew Nevins em 2016 a partir do acervo pessoal da saudosa linguista Lucy Seki (Unicamp). Como explica Mário, "apesar de não ter informações sobre os locais de onde a pesquisadora fez essas cópias, elas certamente fazem referência às listas vocabulares citadas por Leite (1960), dado que as línguas, o ano de coleta e o fato de terem sido coletadas por Nimuendajú batem com as informações presentes no artigo." Doado por seus filhos, o acervo de Lucy Seki será em breve incorporado ao Centro de Documentação Alexandre Eulalio do Institudo de Estudos da Linguagem/Unicamp, onde estará disponível para consulta.


Busca interna no site através do Google

(10 Jan 2019 03:30, by kawinakawina)

O mecanismo de busca do Wikidot vem dando problemas há um certo tempo. Frequentemente (e, até, predominantemente), após uma longa demora, uma busca resulta na mensagem de erro "Operation timed out", tempo esgotado. Para contornar esta situação, incluí na página de resultados um "widget" de busca personalizada do Google, que apresenta, inclusive, algumas vantagens em comparação com a busca do Wikidot, descontando (mas não ignorando) acentos, cedilhas, etc. (uma característica muito útil, especialmente em se tratando de diferentes grafias de nomes de línguas e povos indígenas). Por exemplo, uma busca por boróro listará resultados também para borôro, bororó e bororo. Outra diferença (talvez não tão vantajosa) é que o widget do Google efetua buscas também no conteúdo dos PDFs.


New directory template

(17 Jul 2018 04:33, by kawinakawina)

The template for the entries in our directory ("perfil" category) was updated to include a contact form. This replaces our old contact method, which used Recaptcha's Mailhide to protect the addressees' email addresses; Mailhide has been unfortunately discontinued by Google. The new solution is kind of awkward, since the messages will have to be forwarded by the admins to the addressees, but it will do for now, while I search for an alternative method.


Cadernos de Etnolingüística sob nova direção

(21 May 2018 13:45, by kawinakawina)

O periódico Cadernos de Etnolingüística começa agora uma nova fase, sob nova direção editorial. Em vez do formato antigo, em fluxo contínuo, em que cada artigo era publicado individualmente, os Cadernos agora adotam um formato mais tradicional, com duas edições ao ano.


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