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"[Nimuendajú] foi guiado por um compromisso radical — ético, político, epistemológico e vital — com as formas de vida e a sorte dos povos indígenas. Mais que teuto-brasileiro (naturalizou-se em 1922 com o nome de Curt Nimuendaju), ele foi um teuto-ameríndio: pois Nimuendaju nunca escondeu seu desprezo e sua indignação face aos habitantes de origem ou identidade européia do Brasil, responsáveis pela miséria física e psicológica dos índios, incapazes, em geral, de perceber e admirar a dignidade intrínseca das formas culturais nativas; incorporando antifrasticamente o uso local, Nimuendaju os chamava de ''cristãos'', e mais tarde veio a classificá-los de ''neobrasileiros '', anacronismo nem por isso menos eloqüente."
(Eduardo Batalha Viveiros de Castro, Curt Nimuendaju: 104 mitos indígenas nunca publicados, 1986)

"Nimuendajú was a scrupulous scientist and an incorruptible fighter for his high ideals of justice and charity. During his whole life he fought for the Indians against the representatives of our civilization who invaded their territory with superior arms. For these efforts he was loved by the persecuted, becoming one of them, and with them he suffered the hate of the colonizer for whom "Indians are not people.""
(Herbert Baldus, Curt Nimuendajú, 1883-1945)

"Quando o sol, cerca de meia hora depois, nasceu atrás da floresta, iluminava um novo companheiro da tribo dos Guaranis que, apesar da sua pele clara, compartilhou com eles lealmente no curso de dois anos a miséria de um povo agonizante."
(Curt Nimuendajú, Nimongaraí)

"A História da Etnologia, apresentando dados acêrca dos povos observados, fornece-os também acêrca do povo do observador. É a História do nosso conhecimento dos outros e do nosso comportamento em relação a êles."
(Herbert Baldus, Introdução, Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, 1954)

"[…] ao contrário dos etnólogos de formação acadêmica que, geralmente, só procuravam estudar as peculiaridades das culturas indígenas […], Nimuendajú interessava-se vivamente pelos destinos das populações tribais."
(Expedito Arnaud, Curt Nimuendajú: aspectos de sua vida e de sua obra, 1983)

"Digno de nota é o fato de quase tôdas as famílias lingüísticas do tronco Tupí até agora reconhecidas se concentrarem na região do Guaporé, isto é, do alto Madeira, particularmente entre os rios Guaporé e Jiparaná (ou Machado). […] Êste fato sugere que talvez o centro de difusão do Proto-Tupí deva ser procurado na área do Guaporé."
(Aryon Dall'Igna Rodrigues, Classificação do tronco lingüístico Tupí, 1964)

"Curt Nimuendaju aliou as duas qualificações. Foi pesquisador e artesão. Ambos estão perfeitamente refletidos na cartografia do Mapa Etno-histórico."
(Rodolpho Pinto Barbosa, A Cartografia do Mapa Etno-histórico de Curt Nimuendaju, 1981)

"A dívida que a humanidade contraiu com o primitivo habitante das Américas está longe de ser resgatada, pois milhões de pessoas no mundo inteiro ignoram o valor desse legado. As principais plantas que hoje nos alimentam e que são utilizadas industrialmente foram descobertas e domesticadas pelos ameríndios."
(Berta Ribeiro, Ao vencedor, as batatas!, 1993)

"Curt Nimuendajú é o pai fundador da Etnologia Brasileira, com obra mais alentada e relevante que a de todos nós que o sucedemos."
(Darcy Ribeiro, Introdução a O fim da tribo Oti (Nimuendajú 1993))

""Alemão por nascimento, brasileiro por adoção, índio por identidade'', na expressão de Emmerich e Leite, Curt Nimuendaju ostenta também o título de humanista e sábio que começa a ser revelado a um público mais amplo que o estreito círculo dos estudiosos da antropologia."
(Berta Ribeiro, O mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju, 1982)

""Com os olhos perdidos no Rio Doce, o querido Uatu, com a tranquilidade e a paz de quem reencontrou suas origens e sua própria razão de ser, os mais velhos cantarolavam baixinho ou falavam de seu passado, indicando-nos onde ficavam seus locais sagrados, locais de caça, as grutas onde haviam deixado suas marcas.""
(Lucy Seki, sobre o retorno dos Krenák a seu antigo território, depois das agruras do exílio na Fazenda Guarani, Notas para a história dos Botocudo (BORUM))

"A língua yathê é artìsticamente bela, é grave e é cantante."
(Geraldo Lapenda, Perfil da lingua yathê, 1965)

"Curt Nimuendajú constituiu-se em uma das poucas entidades mitológicas da etnologia brasileira."
(Roque Laraia, A morte e as mortes de Curt Nimuendajú)

"Estou convencido de que o fator principal da resistência dos nossos sertanejos deve ser procurado nos elementos étnicos que povoavam os sertões do nordeste na época do seu desbravamento."
(Carlos Estevão de Oliveira, O ossuário da "Gruta-do-Padre" em Itaparica e algumas noticias sobre remanescentes indígenas do Nordeste (1942))

"Tendo sido indispensável aos Padres fazerem-se entender, em assunto inteiramente novo para os índios, não é crível que se dessem ao trabalho de compor, corrigir, limar por anos a fio, e afinal imprimir, com tantos sacrifícios, cousas que não tivessem sentido para os destinatários."
(Pe. Lemos Barbosa, Prefácio, Curso de Tupi Antigo)

"Lendo-se Martius, quasi que se crê que os jesuitas inventaram a Lingua Geral, isto é, tiveram poder não outorgado pelos linguistas (e pelo bom senso) ao mais poderoso despota."
(Baptista Caetano d'A. Nogueira, Introdução à 2a. edição da Arte de Grammatica da Lingua Brazilica da Nação Kiriri (Mamiani 1877))

"Von Martius é em geral austero para com as raças americanas e as votou a completo exterminio, como incapazes de progresso e civilização. Mas isto parece ser uma prevenção, uma tendencia pronunciada de certos espiritos, que entretanto se esquecem de olhar para o seu velho continente, onde se desenvolveu a tão preconisada civilização dos tempos modernos."
(Baptista Caetano d'A. Nogueira, Introdução à 2a. edição da Arte de Grammatica da Lingua Brazilica da Nação Kiriri (Mamiani 1877))

"Se a língua tupi interessa particularmente à cultura nacional, deve-se isso ao papel que o idioma desempenhou na história do país, assim como à contribuição que trouxe para o português falado no Brasil. Não são razões de caráter glotológico. Sob êste prisma, o tupi teria o mesmo interêsse que qualquer outro idioma indígena do Brasil ou da América."
(Pe. Lemos Barbosa, Curso de Tupi Antigo)

"Fallam estas gentes mais ou menos quatro idiomas: o chiquitano, o bororó, o hespanhol e o portuguez. Ora, de um povo, que dispõe assim de tão vastos conhecimentos linguisticos, longe deve ir a idéa de dizêl-o curto de civilisação."
(João Severiano da Fonseca, Viagem ao Redor do Brasil)

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