'Streifzüge in Amazonien', um texto pouco conhecido de Nimuendajú

por Peter Schröder

Streifzüge in Amazonien” é um artigo pouco conhecido de Nimuendajú, talvez porque o próprio periódico onde foi publicado não existe mais. O Ethnologischer Anzeiger (‘diário etnológico’), hoje em dia quase esquecido, existiu de 1928 a 1944 e teve como editores Martin Heydrich (1889-1969) e Georg Buschan (1863-1942).

Em comparação com outros periódicos etnológicos de língua alemã, como o Anthropos ou a Zeitschrift für Ethnologie, o Ethnologischer Anzeiger nunca ganhou muita influência no cenário institucional da antropologia alemã. No entanto, Robert Lowie chamou a atenção para o periódico em duas pequenas resenhas no American Anthropologist, 29(3), 1927, p. 339-340 [PDF] e 32(4), 1930, p. 661 [PDF].

Provavelmente o artigo foi redigido por sugestão de Fritz Krause (1881-1963), diretor do Museu Grassi em Leipzig, com o qual Nimuendajú manteve correspondência desde abril de 1927, como indica uma carta datada de 27 de junho de 1929 (SES, Leipzig, 1929 / 71, Krause 700 [27.06.1929]) e enviada depois de Nimuendajú ter finalizado uma expedição financiada pelos museus etnológicos de Leipzig, Dresden e Hamburg:

Para o Ethnologischer Anzeiger, o qual é editorado pelo Sr. Dr. Heydrich, diretor do Departamento Americanista do Museu de Dresden e no qual também se publicam, além de revisões bibliográficas e resenhas, sobretudo comunicações sobre expedições científicas e assuntos semelhantes, recomendar-se-ia fornecer uma sinopse sobre o decurso de sua viagem e suas pesquisas em cada uma das tribos indígenas (talvez no tamanho de uma a duas páginas de texto). (tradução: P.S.)

Contudo, Nimuendajú não escreveu nada sobre sua expedição aos Apinayé e Canela, de setembro de 1928 a maio de 1929. Em vez disso, elaborou um relato resumido sobre as expedições realizadas de 1922 a 1927 para o Museu Etnográfico de Gotemburgo (Göteborgs Etnografiska Museum), como também sobre algumas atividades para o SPI. Foi, afinal, depois de não mais receber apoio financeiro do museu sueco que se iniciaram os contatos com Krause por intermediação do etnólogo suíço Felix Speiser (1880-1949).

No artigo, Nimuendajú resume, em ordem cronológica, todas as expedições arqueológicas e etnológicas empreendidas naquele período: nas regiões dos rios Tapajós e Madeira, Nhamundá e Trombetas, na Ilha de Marajó e no Alto Rio Negro. Em termos gerais, as informações são as mesmas que podem ser encontradas nas cartas para Carlos Estevão de Oliveira, traduzidas, editadas e publicadas por Thekla Hartmann em 2000 (Cartas do Sertão de Curt Nimuendajú para Carlos Estevão de Oliveira. Lisboa: Museu Nacional de Etnologia/ Assírio & Alvim, p. 35-113), porém as descrições são mais genéricas. Parece ser um tipo de auto-avaliação de seis anos onde são resumidos os ‘sucessos’ e ‘fracassos’.

A linguagem é sóbria, como a de um “artífice honesto e diligente” (para usar uma expressão de Herbert Baldus para se referir ao etnólogo alemão Max Schmidt), ou seja, sem arabescos estilísticos tão rebuscados em textos acadêmicos atuais. Afinal, Nimuendajú não era acadêmico e não queria impressionar ninguém, já que galicismos e alusões a filósofos franceses ainda não faziam parte do ‘capital simbólico’ antropológico.

O artigo foi traduzido por Thekla Hartmann e publicado com o título “Excursões pela Amazônia” na Revista de Antropologia, São Paulo, vol. 44(2), 2001, p. 189-200. No entanto, o mapa e as cinco fotos no anexo não foram reproduzidos na versão brasileira.


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