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SCHADEN, Egon
  • Aspectos fundamentais da cultura guaraní. Boletim nº 188 da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Antropologia nº 4. São Paulo 1954. 216 pp. in-8°, 16 pranchas fora do texto. Bibliografia. — Reedição na série «Corpo e alma do Brasil», VI, São Paulo 1962, 190 pp. in-8°, 12 figuras em pranchas fora do texto. Bibliografia.

Depois de declarar ser o objetivo de seu trabalho «O de captar, através da apresentação e discussão de alguns aspectos fundamentais da cultura, a maneira pela qual se desenrolam os processos aculturativos no choque entre a configuração cultural Guaraní e diversas formas de vida inerentes ou de algum modo ligadas à civilização ocidental,» o autor afirma: «Pareceu-me haver nesta perspectiva, além do interêsse etnográfico do material apresentado, contribuição mais pròpriamente antropológica, de compreensão dinâmica e funcional dos processos culturais.» (p. 5). A obra foi aceita como tese de Livre-docência na Cadeira de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Acentua o autor, ainda, que «na elaboração, o esfôrço dispendido visa, de certo modo, a conciliar a atitude funcionalista com a caracterização tipológica da configuração cultural.» (p. 7). Para aproximar-se dêste alvo, sem dúvida o ideal almejado por muitos de nós, etnólogos modernos, aplicou-se êle com diligência admirável em brilhantes análises e fecundas reflexões.

O capítulo sôbre a religião abrange, juntamente com o sôbre o mito do Paraíso, 72 páginas, ao passo que o sôbre a cultura material tem apenas 12, o sôbrc atividades de subsistência e organização econômica 23 e os três sôbre «Indivíduo e família», «Estados de crise na vida Guarani» e «A chefia da comunidade» juntamente, 46. O fato de ter dado o autor impord.ncia máxima à religião justifica-se pelo caráter eminentemente religioso da cultura guarani. Além de ser análise magistral dêste aspecto da aculturação numa tribo brasileira, o presente trabalho é a maior fonte para o conhecimento dos Guarani atualmente existentes no Brasil, isto é, dos Nandéva, Mbüá e Kaiová visitados pelo autor em numerosas viagens realizadas a partir de 1946.

A maior parte do capítulo X foi publicada em versão alemã sob o título «Der Paradiesmythos im Leben der Guarani-Indianer» nos
Proceedings of the Thirtieth International Congress of Americanists, London s. a., pp. 179-186, e no Staden-Jahrbuch III, São Paulo 1955, pp. 151-162, 5 figuras em pranchas fora do texto.

Cf. os comentários de Barbro Dahlgren de Jordán no Bol. Bibliogr. de Antropologia Americana XVII (1954), parte segunda, México 1955, pp. 164-165; de Juan Comas em América Indígena XV, México 1955, pp. 318-320; de Wilhelm Saake na Revista do Museu Paulista, N. S., X, São Paulo 1956-1958, pp. 309-311; de Emílio Willems em American Anthropologist LXIII, n. 2, Menasha 1956, p. 382; de Florestan Fernandes em Anhembi, n. 73, São Paulo 1956, p. 25, bem como o resumo da defesa da tese perante a banca examinadora, na Revista de História, XXIII, São Paulo 1955, pp. 251-252.

Em nota à segunda edição observa o autor: «Fiz somente algumas correções de pouca importância.» (p. 8).

(p. 612-613)

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