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RIBEIRO, Darcy, e RIBEIRO, Berta G.
  • Arte plumária dos índios Kaapor. Rio de Janeiro 1957. Port-folio de 156 pp., 14 pranchas em policromia, 32 reproduções de fotografias, 38 vinhetas e 1 mapa no texto. Resumo em inglês: pp. 141-151. Bibliografia.

Na presente obra Berta G. Ribeiro analisa estética e ergologicamente as coleções de adornos de penas que o Museu Nacional e o Museu do Índio, do Rio de Janeiro, possuem dos chamados Urubus do Maranhão que denominam a si mesmos Kaapor. Darcy Ribeiro, por sua vez, apresenta, além de considerações etnológicas de caráter geral, as observações referentes à arte plumária, que pôde fazer nas próprias aldeias.

De especial interêsse é a seguinte tentativa de classificação: «A associação da plumária aos trançados ou aos tecidos lhe empresta características tão peculiares que pode servir de critério para distinguir duas famílias estilísticas diversas. A primeira é representada principalmente por tribos do norte do Amazonas, como os Apalaí, Galibí, Taulipang, Waiwai e outros que, montando seus adornos plumários em imponentes armações trançadas, conseguem efeito magestoso, mas não parecem sensíveis aos requintes de acabamento. Outros exemplos de estilo plumário voltado para a suntuosidade, na base da associação com trançados e varetas se encontra nos Bororo, Karajá e Tapirapé.

Estas tribos manifestam uma tendência pronunciada para a utilização das penas longas montadas em armações rígidas, alcançando dimensões avantajadas, de magnífico efeito cênico. Seus diademas rotiformes ou seus largos leques do occipício sugerem, pela aparatosidade, a paramentália de grandes cerimônias de auto-afirmação tribal. Os mais altos representantes da segunda família estilística, baseada na associação da plumagem aos tecidos, são alguns grupos Tupí e, em particular, os Mundurukú e Urubus. Suas criações se distinguem pela flexibilidade que permite aplicá-las diretamente ao corpo, pelos requintes de acabamento e pela procura de efeitos cromáticos sutís em peças de dimensões diminutas. Enquanto os estilos anteriormente referidos parecem voltados para a suntuosidade e o esplendor, êstes sugerem a delicadeza das filigranas e a sensibilidade e virtuosismo das iluminuras.» (p. 17).

Esta monografia que, no seu gênero, diflcilmente poderá ser superada, refuta todos aquêles que, fazendo comparações impróprias com as obras do antigo Peru, negam ao índio brasileiro fôrça criadora no campo das artes plásticas.

Cf. os comentários de Herbert Baldus na revista Anhembi, n. 87, S. Paulo 1957, pp. 551-555, e na Revista do Museu Paulista, N. S., XI, S. Paulo 1959, pp. 275-279; e de Hans Becher na Zeitschrift für Ethnologie, LXXXV, Braunschweig 1960, pp. 168-169.

(p. 577-578)

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