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LÉVI-STRAUSS, C.
  • Tristes Tropiques. Paris 1955. 462 pp. in-8°, 53 figuras e 1 mapa no texto, 63 figuras em pranchas fora do texto. Bibliografia. ― A tradução portuguêsa de Wilson Martins revista pelo autor saiu sob o título Tristes Trópicos, São Paulo 1957, 454 pp. in-8°, com tôdas as ilustrações do original. Há traduções para o inglês, alemão, italiano, holandês, polonês, sueco e japonês.

Êste livro profundamente original e sedutor é, essencialmente, um conjunto de reflexões sôbre uma parte da vida do autor, sua profissão de etnógrafo e etnólogo, bem como sôbre problemas gerais da sociedade humana. Sua importância para o conhecimento das tribos do Brasil consiste na penetrante compreensão com que o autor trata de certos traços das culturas indígenas por êle observadas. Especialmente admirável a êsse respeito é a descrição dos Nambikuara (pp. 289 a 336), contendo talvêz as mais belas páginas aparecidas até hoje na literatura sôbre o índio brasileiro.
Ótima também é a exposição daquilo que o autor viu pessoalmente dos ritos fúnebres entre os Bororo da aldeia Kejara no rio Vermelho (pp. 249 e segs.). Embora mencione serem as "excellentes enquêtes etnographiques" dos salesianos "nos meilleures sources sur les Bororo, après les études plus anciennes de Karl von den Steinen" (p. 224), não discerne os resultados da sua própria pesquisa dos dados tirados dessas fontes. A descrição de muitos aspectos da organização social e da religião daquela tribo parece tão completa e perfeita que aguardamos ansiosamente sua confirmação pela obra enciclopédica em vários volumes que aquêles missionários estão elaborando a respeito da tribo em aprêço.
Igualmente interessante é o que o autor tem a dizer dos Kadiuéu (pp. 174-203), destacando-se as observações sôbre a arte e sua função social entre êstes Guaikuru (pp. 201 e segs.). As informações acêrca das tribos visitadas estão completadas por ligeiras notas sôbre os Kaingang de São Jerônimo, rio Tibagi (pp. 159-163), Mundé (pp. 354-356) e Tupi-Kawahib do rio Machado (pp. 357-361 e 368 a 387).
No campo da História Cultural, o autor, compreendendo a importância de considerar o hemisfério ocidental como um todo, frisa a necessidade de admitir a existência do homem na América há 20.000 anos e não apenas há cinco ou seis milênios como era opinião geral antes do emprêgo da radioatividade para determinar a idade de achados pré-históricos (pp. 263/264).
Resumindo: nas partes do livro dedicadas à Etnologia Brasileira, o autor se revela um arguto observador e pensador de grande potência, ainda que, à vêzes suas idéias se elevem a alturas tão sputnikianas que nem todos os seus colegas o poderão seguir (cf., por ex., p. 256).

(p. 421-423)

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