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HONORÉ, Pierre
  • Ich fand den Weissen Gott. Frankfurt am Main 1961, 359 pp. in-8°, 65 figuras e 1 mapa no texto, 69 pranchas fora do texto, índice alfabético de nomes. Bibliografia. ― Versão francesa: L'énigme du dieu blanc précolombien. Paris 1962, 420 pp. in-8°, 163 figuras.

Pierre Honoré é duplicata do impostor Marcel F. Homet, respeitosamente mencionado nas pp. 24, 25, 314, 318, 319 e 344, que publicou livro do mesmo gênero sob o título "Os filhos do sol" (cf. B. C. 2267). Enquanto Homet pretende ter encontrado no Território do Rio Branco vestígios de descendentes dos habitantes da lendária Atlântida, Honoré insinua que, há 35000 anos, veio do Velho Mundo um homem para a América, tornando-se "o Deus Branco dos índios" (p. 328). Para localizar a procedência exata dessa divindade afirma ter descoberto na Amazônia inscrições rupestres com características da escrita cretense (p. 327). Não fornece, porém, nenhum dado que permita identificar o lugar de sua descoberta. Referindo-se aos viajantes que, nos anos de 1850 a 1910 encontraram inscrições rupestres em diversas partes do Brasil, declara, levianamente, que "todos" tiveram a firme convicção de tratar-se de textos fenícios (p. 314).
Afirma, depois, que "nomes puramente semíticos para rios, rochedos, morros e colinas, homens, animais e plantas "estão muito difundidos na região do Inferno Verde", isto é, na Amazônia (ibidem). Escreve que, "ainda hoje", as camponesas de Creta e "os chefes das tribos de índios selvagens do Amazonas" usam numa fita atada ao pescoço "as mesmas pedras verdes de jade, freqüentemente em forma idêntica" (p. 188), coisa que nos parece difícil de ser em relação às cretenses, pois que não expressa a verdade no que diz respeito aos índios.
A extensa bibliografia (pp. 338-351) não foi organizada por conhecedor de tôdas as publicações nela citadas. Quando lemos, por exemplo: "International Congress of Americanists, Veröffentlichung meist New York" (p. 339), convém objetar que dos 34 Congressos de Americanistas realizados de 1875 a 1960, apenas 3 tiveram lugar nesta cidade e apenas um teve seus Anais aí publicados, não, porém, "a maior parte" ("meist").
Desonestidade se revela também no fato da reprodução de mapas e figuras sem indicação de fontes, como acontece, por exemplo, à p. 286, com um mapa publicado em E. Pinto: Os indígenas do nordeste, I, p. 64 (cf. B. C., 1217).
Em resumo: a pessoa que se esconde sob o pseudônimo Pierre Honoré não merece confiança.

(p. 368-370)

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