1952

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BRELIN, Johan [1731-1782]
  • De passagem pelo Brasil e Portugal em 1756. Tradução do original sueco por Carlos Pericão de Almeida. Introdução e comentário de Nils Hedberg. Lisboa 1955. 141 pp. in-8°, índice onomástico. ― Extraído do original intitulado Beskrifning öfver en äfventyrlig resa til och ifran Ost-Indien, Södra America och en del af Europa, aren 1755, 1756 och 1757. Upsala 1758.

Esta publicação do Instituto Ibero-Americano de Gotemburgo apresentando a primeira descrição sueca do Brasil, dá bem uma idéia do estereótipo dos índios formado na mente dos europeus do século XVII. A título de curiosidade sejam citadas as seguintes frases: "Não têm qualquer religião e na sua língua não existe nenhuma palavra com o significado de Deus; contudo consideram as suas almas imortais. …Se um Cristão tem a infelicidade de cair nas suas mãos é esquartejado como um animal e comido com bom apetite. A sua selvajaria vai ao ponto de se comerem uns aos outros. …Andam sempre nus, encobrindo as suas vergonhas com folhas ou cascas de caracóis, que amarram à cintura com um pedaço de fibra." (p. 101). A função aqui atribuida às "cascas de caracóis" surpreenderá ao estudioso da Etnologia Brasileira, pois dificilmente encontrará referência semelhante em outro autor da época, nem semelhante uso observado entre quaisquer índios sul-americanos. Convém considerar, porém, que o autor se baseou quase exclusivamente em informações, pois a respeito dos índios que pôde observar pessoalmente, se limita a dizer: "Desta espécie de gente só vi apenas dois exemplares que eram guardados no palácio do Vice-Rei dentro de jaulas de ferro e dizia-se que iam ser mandados para a Europa." (p. 102).
Cf. o comentário de Herbert Baldus na Revista do Museu Paulista, N. S., XI, São Paulo 1959, pp. 287-289.

(p. 159)

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