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TORRES, Heloisa Alberto
  • Arte indígena da Amazônia. Publicações do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 6, Rio de Janeiro 1940. xv pp. e 50 pranchas.

Êste álbum reproduz fotografias de objetos de arte feitos pelos habitantes pré-colombianos da ilha de Marajó, na foz do Amazozonas, às quais foram reunidas outras de artefatos de índios que habitaram a Amazônia depois de sua descoberta pelos europeus, ou que ainda a habitam. Tal juxtaposição tem por fim refutar a hipótese de que os ornamentistas da cerâmica marajoara "teriam alcançado um nível de civilização mais elevado do que o geralmente dominante entre os selvícolas brasílicos, ao tempo do descobrimento da América." Segundo a autora, "certos aspetos de cultura, revelados nitidamente pela cerâmica, ou conclusões muito plausíveis a que a sua observação conduz, levam-nos a acreditar que, de um modo geral, a civilização dos aborígenes construtores dos montículos funerários não se contraporia fundamentalmente a um quadro cultural indígena em que grupos históricos amazônicos (Guiana, Rio Negro, Xingú, etc.) constituissem os elementos típicos". (p. vi). E, mais adiante, lemos: "…a forma geral dos vasos, muito próxima da de cestos utilizados por populações indígenas amazônicas atuais; o caráter rigidamente geométrico dos motivos que decoram sobretudo as peças gravadas au champ levé; a interseção, nessas mesmas peças, de bandas paralelas, que tanto lembram as talas de cestos trançados, e sobretudo o desenvolvimento contraditório entre a arte do oleiro (muito rudimentar) e a de decorador (tão elaborada) parecem apontar fortemente no sentido da juvenilidade da arte da cerâmica entre aqueles selvícolas. Jovens oleiros, velhos artistas trançadores, os marajouaras teriam transportado para o elemento plástico os desenhos desenvolvidos na matéria rígida das talas entrelaçadas dos seus cestos." (p. ix).
Vemos por tudo isso que a interessante obra de Heloisa Alberto Torres tem tanta importância para a Arqueologia como para o estudo dos índios do Brasil de hoje, estudo êsse em que a influência dos ornamentos do trançado sôbre a arte de pintar e gravar já foi demonstrada por Max Schmidt nas suas "Indianerstudien in Zentral-Brasilien", Berlin 1905, pp.374 e seguintes.

(p. 727-728)

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