1586

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STADEN, Hans

O arcabuzeiro e artilheiro alemão Hans Staden fêz sua primeira viagem ao Brasil nos anos de 1547 a 1548 e a segunda de 1549 a 1555. Da última, passou nove meses como cativo entre os Tupinambá. A êste fato devemos a primeira publicação sôbre índios do Brasil que, ainda hoje, constitui uma das mais valiosas fontes da etnologia em geral, e da tupinologia especialmente. Mais importante do que os elogios a êsse livro feitos por historiadores como Robert Southey e por etnólogos como Friedrich Ratzel talvez seja a opinião de Jean de Léry, francês que diz ter conhecido os Tupinambá poucos anos depois de Staden e se exprime, numa carta citada por Ternaux Compans e outros autores, da seguinte maneira sôbre a obra do soldado alemão: " … é digna de ser lida por todos os que desejam saber como são na verdade os costumes dos brasileiros."

O livro de Staden tem valor especial para a ergologia. O autor não se contenta sòmente com descrições, mas representa os artefatos também em xilogravuras. Refere-se, também, a problemas sociológicos. É natural que o mais impressionante para o prisioneiro dos Tupinambá ameaçado de ser devorado por êles fôsse o modo dêsses índios matarem e comerem seus inimigos, e por isso Staden dedica o maior capítulo de seu livro e numerosas gravuras a êste assunto.

Em resumo: o antigo arcabuzeiro trata, se bem que ligeiramente, de tantos aspectos diferentes da cultura tupinambá, que seu livro já assume o caráter duma monografia tribal. É digno de nota, além disso, que Staden não se limita a falar sòmente nos Tupinambá, mencionando ainda várias outras tribos.

Havendo da edição da obra de Staden, aparecida em Marburgo, no carnaval de 1557, uma reprodução fac-similar fàcilmente acessível, é esta de tôdas as edições a mais própria para pesquisas cientüicas. O número das edições é superior a cincoenta. A obra foi traduzida para o flamengo, latim, francês, holandês, inglês e português. A edição inglêsa de Richard F. Burton é intitulada: The captivity of H. Stade of Hesse, in A. D. 1547 to 1555, among the wild tribes of Eastern Brazil; translated by Albert Tootal, annotated by R. F. B.; Hakluyt Society, vol. LI, London 1874. Mais recente é: Hans Staden; the true history of his captivity, 1557; translated and edited by Malcolm Letts, with an introduction and notes. London 1928, xx, 191 pp. in-8.º, e New York 1929. Das várias edições brasileiras as melhores são: a traduzida por Alberto Loefgren, revista e anotada por Theodoro Sampaio e publicada pela Academia Brasileira, Rio de Janeiro 1930; e a traduzida por Guiomar de Carvalho Franco, com uma introdução e notas de Francisco de Assis Carvalho Franco, São Paulo 1942, 216 pp., com as 52 gravuras da primeira edição de Marburgo, mapas das rotas seguidas por Staden e índice analítico; a tradução de Loefgren é baseada na segunda edição do original: tendo servido a prínceps para a versão de Carvalho Franco.

Cf. a respeito da edição brasileira de 1942 o comentário de Herbert Baldus na Revista do Arquivo Municipal LXXXIV, São Paulo 1942, pp.193-194.

Uma bibliografia de 69 edições da obra de Staden foi publicada por C. Fouquet no Boletim Bibliográfico, vol. IV, São Paulo 1944, pp.7-31.

(p. 692-693)

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