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SEPP, Antônio [1655-1733]
  • Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos. Introdução e notas por Wolfgang Hoffmann Harnisch. Tradução de A. Reymundo Schneider e alunos da Companhia de Jesús, em Parecí. Fotografias de Wolfgang Hoffmann Harnisch Júnior. Biblioteca Histórica Brasileira XI. São Paulo 1943, 256 pp. in-8.º, 18 pranchas.

Êste livro é a versão portuguêsa da "Reissbeschreibung" ("Descrição de viagem") aparecida em Nuremberg no ano de 1698, e do "Continuatio laborum apostolicorum" publicado em Ingolstadt, no ano de 1710. A introdução apresenta algumas notas bibliográficas sôbre o Pe. Sepp (pp.35-37) que podiam ser completadas pela biografia inserta no artigo de W. Rohmeder (Festbuch zum 20jährigen Bestehen des Reichsverbandes für das katholische Deutschtum im Ausland, Berlin 1939, pp.295-305). Interessante é a observação de S. Canals Frau ("Paleoamericanos" etc., p. 143), de ser a edição da "Descrição de viagem" incluída na Coleção Churchill, tomo IV, London 1732, pp.596-622, "uma má tradução inglesa isenta de todo o valor científico".
A importância da "Reissbeschreibung" para o indianista consiste nos dados sôbre os Iaró, habitantes da região onde atualmente a Argentina confina com o Uruguai e o sudoeste do Rio Grande do Sul. Canals Frau (o.c.) estudou êsse material, reproduzindo as fotografias das respectivas 16 páginas do original alemão. Procura mostrar aquêles índios como intimamente relacionados com os Kaingang. Sua documentação me parece insuficiente. Em todo o caso, porém, os Iaró não eram parentes lingüísticos dos Guarani, pois na presente edição brasileira do Pe. Sepp (p.155) há referência a um intérprete iaró que "sabia muito bem a língua paraguaia e até a espanhola". Isso significa que a "língua paraguaia", isto é, o guarani não era a sua língua.
A "Continuação dos Trabalhos Apostolicos" encerra a descrição detalhada da fundação e organização duma redução jesuítica entre os Guarani em terras hoje sul-riograndenses.
O estilo do padre Sepp é pitoresco e, às vêzes, comove pela ingenuidade. O jesuíta explica com a maior singeleza e naturalidade os seus métodos de catequese, nem sempre isentos de velhacaria e, até, de violência (cf.pp.156-159). Freqüentes manifestações de etnocentrismo mostram não ter o autor se afastado dos preconceitos de sua época, nem se colocado acima da mentalidade da maioria dos missionários.
Acêrca da introdução de Hoffmann Harnisch veja o comentário de Herbert Baldus no Boletim Bibliográfico III, São Paulo 1944, p. 36.
Cf. também o comentário de Sérgio Buarque de Holanda (Cobra de vidro, S. Paulo 1944, pp.103-110) à reedição em alemão modernizado, que apareceu em 1941.

(p. 662-664)

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