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RODRIGUES, João Barboza
  • Rio Jauapery. Pacificação dos Crichanás. Rio de Janeiro 1885. 275 pp., notas musicais, 1 mapa.

O autor descreve as relações hostis entre os "civilizados" e os índios do Jauaperi, afluente da margem esquerda do rio Negro, que só terminaram em 1884, quando êle conseguiu pacificar êstes últimos. Além de interessantes observações etnográficas, o presente trabalho contém um vocabulário comparativo krichaná, ipurucotó e makuxi (pp. 247-260).
Digno de nota é o seguinte comentário de Koch-Grünberg na Zeitschrift für Ethnologie XXXIX, Berlin 1907, pp.233 e 234: "Se bem que não quero aprovar, de modo algum, o duro parecer sôbre as pesquisas de Barboza Rodrigues dado por Payer ("Reisen im Yauapery-Gebiete"), considero impossível ter Barboza Rodrigues recolhido seu grande vocabulário krichaná somente entre os índios bravos do rio Jauaperi, que não falam, além de seu idioma, nenhuma outra língua, nem sequer a Língua-geral e, muito menos ainda, o português. O informante principal parece ter sido o intérprete do explorador brasileiro, um Makuxi meio civilizado do rio Branco, que também entabulou relações com os selvagens. É possível que êste intérprete, ignorando a língua dêstes índios Jauaperi, usasse na conversa com êles o krichaná que ambas as partes conheciam. Ou que os índios Jauaperi encontrados por Barboza Rodrigues fôssem de uma tribo inteiramente diferente da dos índios Jauaperi de Payer e Hübner e realmente krichaná."
Mais tarde, o mesmo Koch-Grünberg (Zeitschrift für Ethnologie XLV, Berlin 1913, pp.451 e 452) classificou a "Pacificação dos Crichanás" como "obra fantástica", reprovando inteiramente o vocabulário "ipurocotó" publicado pelo grande botânico.

(p. 596-597)

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