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RIVET, Paul
  • As origens do homem americano. Tradução de Paulo Duarte. São Paulo 1948. 123 pp. in-8.º, 18 figuras e 18 pranchas no texto.

Neste interessante ensaio, que estuda as origens do índio, tratando da América do ponto de vista geológico, da antiguidade do homem na América, do povoamento dêste continente pela Ásia, do problema esquimó, dos australianos, melanésios e normandos na América e das relações comerciais entre ela e a Polinésia, o autor chega à seguinte conclusão: "…cremos que, atualmente, temos que nos contentar com classificar os três grandes movimentos migratórios que contribuiram para o povoamento do Novo Mundo na seguinte ordem cronológica: Migração asiática, migração australiana, migração melanésica" (p. 82).
Ao passo que enumera elementos culturais comuns à Austrália e à América (pp.60-61) e o muito que esta possui em comum com a Oceania (pp.72-74), escreve apenas isso acêrca da Ásia: "A não ser os esquimós, cujas afinidades são certas, as tribos americanas, mesmo as do noroeste, diferem profundamente das tribos asiáticas sob o ponto de vista cultural" (p. 52). Quero mencionar, por isso, pelo menos um elemento cultural difundido tanto no sudeste asiático quanto entre os esquimós, entre índios norte-americanos e, na América do Sul, entre tribos do Chaco: o mito segundo o qual a mãe primária ou a mãe comum casa com um cão (cf. Wilhelm Koppers: Der Hund in der Mythologie des zirkumpazifischen Völker, Wiener Beiträge zur Kulturgeschichte und Linguistik, Jahrgang I, Wien 1930; Herbert Baldus: Indianerstudien im nordöstlichen Chaco, Leipzig 1931, p. 78; Walter Krickeberg: Amerika, Die Grosse Völkerkunde herausgegeben von Dr. Hugo A. Bernatzik, III, Leipzig 1939, pp. 47 e 115).
No capítulo sôbre as relações comerciais entre a Polinésia e a América é estudada a identidade das palavras quíchua e polinésica para designar a batata doce e seu parentesco com designativos de inhame em malaio, sakai, semang e num idioma da Nova Guiné. É a voz kumar dos dialetos setentrionais do quíchua peruano. Na bacia do Ucaiali, na região de Mainas e no alto Caquetá tomou a forma de kumal ou, excepcionalmente, kumai (p. 89). A respeito disso quero mencionar que colhi entre os Tapirapé, tribo tupi do Brasil Central, o têrmo iampokumaé como designação de um inhame que alcança sessenta centímetros de circunferência e trinta e cinco centímetros de comprimento, afirmando êsses índios que o cultivam desde tempos remotos.
Observa Rivet (p. 8) que a presente edição foi revista e aumentada com dados novos chegados ao seu conhecimento depois de terem sido publicadas em Montreal a edição francesa e no México a espanhola.

(p. 592-593)

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