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PRADO, Eduardo Barros
  • Eu vi o Amazonas. Conselho Nacional de Proteção aos Índios, publicação n. 109. Rio de Janeiro 1952. 475 pp. in-8.º, 18 pranchas fora do texto. ― Original espanhol: Yo vi el Amazonas, Buenos Aires 1948. Versão alemã: Glückliche Jahre am Grossen Strom, Wien 1950, 247 pp. in-8.°, 1 mapa no texto, 36 figuras em pranchas fora do texto.

Livro de impressões, contendo numerosos dados errados a respeito dos índios do Brasil e nada que recomende sua leitura para o etnólogo. Basta mencionar a afirmação do autor de que todos os índios do médio Amazonas, com exceção de uma tribo, ignoram o uso do fogo: "Allen übrigen Indianern des mittleren Amazonastales ist das Feuer unbekannt." (p. 165 da versão alemã). "Os demais índios que habitavam o vale do Amazonas central desconheciam o fogo, cuja falta não se fazia aliás sentir naquela zona em que se haviam estabelecido, dotada duma temperatura cálida e invariável, que dispensava pràticamente o uso do calor artificial; sendo também de notar, a êste propósito, que não usavam cozinhar seus alimentos e os ingeriam apenas dissecados por processos primitivos." (p. 297 da versão portuguêsa). É de admirar-se que um indianista tão honesto como o Cel. Amilcar A. Botelho de Magalhães se tenha prestado a traduzir tais excessos de ignorância e fantasia, sem comentá-los, como fêz com outros trechos do livro. E é difícil justificar o fato de o Conselho Nacional de Proteção aos Índios ter gasto verba para publicar a tradução. As supostas observações in loco são confusas demais para merecerem consideração.

(p. 555-556)

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