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MARTIUS, Carl Friedrich Phil. v.
  • Beiträge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens. Leipzig, 1867. I: Zur Ethnographie, ix, 802 pp. in-8.º, índice alfabético, 1 mapa; II: Zur Sprachenkunde, xxi, 548 pp. in-4º.

O primeiro tomo encerra os três seguintes trabalhos: 1) Uma conferência sôbre "O passado e futuro da humanidade americana" (pp. 1-42), feita em 1838, na qual o autor sustenta a opinião de que "os americanos não são selvagens, mas asselvajados e decaídos… restos degradados de um passado mais perfeito, em via de degeneração muito antes da descoberta pelos europeus." (p.6). A versão portuguêsa dessa conferência apareceu na Revista do Instituto Historico e Geographico de São Paulo IX (1904), S. Paulo 1905, pp..534-562. 2) Um estudo sôbre "O estado do Direito entre os aborígenes do Brasil" (pp. 43-144), publicado também em versão portuguêsa na Revista do Instituto Historico e Geographico de São Paulo XI (1906), S. Paulo 1907, pp. 20-82 e, como livro, em São Paulo, no ano de 1938. A tradução inglêsa é intitulada: "On the State of Civil and Natural Rights among the Aboriginal Inhabitants of Brazil" (Journ. Royal Geogr. Soc., II, London 1832, pp. 191-227). Nesse estudo, que alude igualmente à tese apresentada no primeiro dos três trabalhos, o autor trata de tôda sorte de fonômenos sociais e culturais e não exclusivamente daquilo a que se restringe a jurisprudência moderna. 3) Uma sinopse etnográfica dos índios do Brasil e das regiões limítrofes (pp. 145-780). Acompanha-a um mapa das supostas migrações dos Tupi e da distribuição dos grupos lingüísticos, cuja base fornecem os vocabulários reunidos no segundo tomo.
O valor etnológico atual das obras de Martius foi examinado por Herbert Baldus no ensaio bio-bibliográfico "A viagem pelo Brasil de Spix e Martius", Revista do Arquivo Municipal LXIX, São Paulo
1940, pp.131-146. (Reproduzido na edição das gravuras da "Viagem pelo Brasil", São Paulo 1940, pp. 3-24).
Acêrca do "Diccionario da Lingua Geral Brasilica portuguez-alemão", inserto no segundo tomo dos Beiträge, pp.23-97, escreve Plínio Ayrosa (Apontamentos para a Bibliografia da língua tupí-
guaraní, p.163): "…é, como se verifica facilmente, reprodução quasi integral da inversão da l.ª parte do Dicionário Brasiliano-português, de Frei Onofre, impresso em 1795 por Frei Veloso, acompanhado da versão para o alemão." Referindo-se a outras partes do mesmo tomo (pp.371-544), acrescenta: "Nas relações de nomes de plantas, animais e lugares, aparecem as etimologias das designações tupí-guaranís, em geral discutíveis quando não evidentemente fantasiosas. O grande espírito do inolvidável botânico foi, nessas sugestões etimológicas, traido pela aparente facilidade de decomposição das expressões nativas". E, resumindo o seu juízo a respeito do segundo tomo em sua totalidade, diz o lingüista brasileiro: "Inquestionàvelmente, porém, esta obra é uma das fontes mais abundantes para estudos relativos às línguas indígenas da América do Sul".

(p. 435-436)

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