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JENSEN, Ad. E. 1899-
  • Mythos und Kult bei Naturvölkern. Religionswissenschaftliche Betrachtungen. Studien zur Kulturkunde, X. Wieslxiden 1951. vii, 423 pp. in-8.º, índices alfabéticos de autores e matérias. Bibliografia.

Analisa dados relativos à religião de várias tribos do Brasil. Certas afirmações foram criticadas por mim em extensos comentários (cf. Herbert Baldus em Anhembi, ano II, n. 20, São Paulo 1952, pp.322-329 e na Revista do Museu Paulista,N. S., VI, São Paulo 1952, pp.509-516). Assim, por exemplo, a observação do autor (p. 136) segundo a qual a mandioca é o principal alimento vegetal de todos os povos "selvícolas sul-americanos". Basta lembrar os Kaingang ou tribos não lavradoras como os Guaiaki para mostrar que tal generalização é inadmissível.

Jensen (p.182) deduz a existência de "totemismo tribal" da conhecida informação sôbre os Bororo Orientais visitados, por von den Steinen, segundo a qual êsses índios mato-grossenses se identificam a si mesmos com a arara-vermelha. É preciso declarar, porém, que essa informação do clássico da Etnologia Brasileira, inúmeras vêzes citada na literatura sôbre os povos-naturais e nela utilizada para argumentações de diversas espécies, não foi confirmada por nenhum dos pesquisadores que modernamente estiveram com outros grupos locais dos Bororo Orientais.

Segundo Jensen (p.388), a atitude dos povos-naturais em relação aos defuntos é, principalmente, de reverência e amor e não de medo. Isto não está certo com referência aos índios do Brasil. Assim, por exemplo, escreve von den Steinen que o motivo de tôdas as cerimônias fúnebres entre os Bororo é o medo de que o morto volte para levar os vivos. Também entre os Kaingang de Palmas, cuja cultura é decisivamente orientada pela preocupação com o morto dança-se "para que o morto se vá embora", pois dizem que corre ao redor das cabanas dos vivos e é venenoso (cf. Baldus: Ensaios de Etnologia Brasileira, pp.51-52). A êsse respeito merecem menção especial os Tapirapé, que fazem distinção entre o cadáver pròpriamente dito, que não temem, e a sombra. Esta é tirada do corpo do defunto pelo pajé, sendo por êsse motivo que o morto não tem sombra no túmulo. As sombras dos mortos são más, dançam e cantam, morando no solo da sepultura. Às vezes são vistas à noite, razão pela qual os índios não gostam de sair no escuro. Também não visitam as sepulturas nas aldeias abandonadas. Um Tapirapé inteligente me disse: "Não tenho medo do meu filhinho morto e sepultado, mas de sua sombra".

(p. 328)

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