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HENRY, Jules
  • Jungle People. A Kaingáng Tribe of the Highlands of Brazil. New York 1941. xix, 215 pp. in-8.º, 6 pranchas não numeradas, 8 pranchas numeradas, 5 apêndices, glossário, índice onomástico.

De dezembro de 1932 a janeiro de 1934, o autor conviveu com os Aweikoma aldeados pelo Serviço de Proteção aos Índios, no Pôsto Duque de Caxias os quais são chamados, também, Botocudos de Santa Catarina, Bugres, Xokré e Xokleng. O autor chama-os "Kaingáng". Falam um dialeto desta família lingüística.

O presente livro é um estudo da vida nômada dêsses índios, das relações sexuais e formas matrimoniais, da vendeta como fôrça diruptiva dentro de sua sociedade, de suas relações com o sobrenatural, da organização econômica, psique e folclore. Em apêndices são apresentados a cultura material, pinturas do corpo e sistema de parentesco, rituais, cantos e a língua.

A obra de Henry é, até hoje, a maior tentativa de interpretar o padrão de comportamento duma tribo do Brasil, tentativa brilhante que não deixa de impressionar pela sua habilidade literária. O autor parece penetrar profundamente na vida emocional, expondo com rara clareza tôdas as suas raízes. Esta vida se lhe afigura, por fim, tão simples que, num pequeno capítulo intitulado "Estrutura psíquica", trata da psique dos índios estudados como se ela fôsse a psique de um indivíduo só, chegando a enquadrá-la num diagrama. Tal aspecto didático não passa de um blefe. O indianista experimentado no trabalho de campo sabe da complexidade das psiques, não digo das psiques de todos os indivíduos duma tribo, mas de alguns. Êle sabe, também, da diferença entre essas psiques e conhece a mobilidade da sua acomodação ao padrão de comportamento tribal o qual, por sua vez, está sujeito a transformações.

Henry não considera nada disso. Não procura estudar a psicologia dos indivíduos nem as mudanças culturais. Baseado em dados de informantes índios, pinta, principalmente, o quadro duma cultura passada. Digo "principalmente" porque o autor não deixa de relatar suas próprias observações e, portanto, de mostrar alguns traços da cultura atual. Infelizmente, suas tendências simplistas manifestam-se também a êsse respeito, unindo, às vêzes, em promiscuidade o passado e o presente, e não distinguindo, visivelmente, o valor dos fatos observados por êle mesmo, e o dos informes que recebeu dos pesquisados.

Apesar de todos êsses senões, "Jungle People" é uma obra importante. Muitas das suas formulações satisfazem inteiramente, podendo ser confirmadas pelos competentes. Para os futuros pesquisadores, êsse livro abre vastos horizontes.

Cf. o comentário de John Gillin no American Anthropologist N.S., XLIV, n.º 3, Menasha, Wisconsin, 1942, pp.493-494.

(p. 301)

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