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BIOCCA, E.
  • Estudos etno-biológicos sobre os índios da região do Alto Rio Negro - Amazonas. nota II - Transmissão ritual e transmissão criminosa da espiroquetose discrômica (Purú-Purú, Pinta, etc.) entre os índios do Rio Içana. Separata dos "Arquivos de Biologia", ano XXIX, n. 265, São Paulo 1945, 8pp., 2 figuras no texto. Bibliografia.

O autor cita informações publicadas por diversos viajantes sôbre o purupuru, encontrado em várias tribos amazonenses, descreve a transmissão ritual e a transmissão criminal dessa dermatose e resume as suas observações da seguinte maneira: "A difusão da espiroquetose discrômica (Purú-Purú, Pinta, etc.) entre os índios da região do Alto Rio Negro é em grande parte relacionada a duas maneiras de transmissão: ritual e criminosa. Para tribos inteiras as manchas do Purú-Purú são quasi um distintivo nacional. Nas festas, mágicas das quais podem participar os adultos e os moços depois da puberdades, é realizada a transmissão da infecção por meio de violentes fustigações recíprocas, feitas com um chicote ritual (adabi), que, provocando o sangramento das lesões, funciona como meio de transmissão. A transmissão ritual entre membros da mesma tribo é substituída pela transmissão criminosa contra os estrangeiros não queridos (índios ou brancos). Os índios depõem gotas de sangue infectante, (retirado da margem das lesões mais recentes), em alimentos, preferìvelmente irritantes da mucosa bucal, para assim facilitar a penetração dos treponemas. Outros sistemas de transmissão criminosa são também usados, como a contaminação com sangue infectado de banquinhos de madeira, etc."

(p. 132)

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