Curt Nimuendajú (1883-1945)

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"No dialeto Guaraní dos Apapokúva, que é o mesmo mais recentemente chamado no Brasil (desde os trabalhos de Egon Schaden) de Nhandéva (no Paraguai é Chiripá), o nome Nimuendajú tem a seguinte constituição: ni- prefixo reflexivo, mu- prefixo causativo, -en um dos alomorfes do verbo 'estar sentado', -a ~ -av sufixo nominalizador de circunstância, ju [dʒu] 'amarelo' (tema descritivo, que metaforicamente parece significar também 'brilhante', 'respeitável', e que é acrescentado a nomes de pessoas). A ordem das derivações é a seguinte: -ena(v) 'lugar de estar sentado, ou estabelecido, assentamento', muena [muenda] 'fazer assentamento', nimuena [nimuenda] 'fazer assentamento para si mesmo', nimuenaju [nimuendadʒu] 'o que fez seu assento, o que se estabeleceu'."

Aspas:

"[Nimuendajú] foi guiado por um compromisso radical — ético, político, epistemológico e vital — com as formas de vida e a sorte dos povos indígenas. Mais que teuto-brasileiro (naturalizou-se em 1922 com o nome de Curt Nimuendaju), ele foi um teuto-ameríndio: pois Nimuendaju nunca escondeu seu desprezo e sua indignação face aos habitantes de origem ou identidade européia do Brasil, responsáveis pela miséria física e psicológica dos índios, incapazes, em geral, de perceber e admirar a dignidade intrínseca das formas culturais nativas; incorporando antifrasticamente o uso local, Nimuendaju os chamava de ''cristãos'', e mais tarde veio a classificá-los de ''neobrasileiros '', anacronismo nem por isso menos eloqüente."
(Eduardo Batalha Viveiros de Castro, Curt Nimuendaju: 104 mitos indígenas nunca publicados, 1986)

"Nimuendajú was a scrupulous scientist and an incorruptible fighter for his high ideals of justice and charity. During his whole life he fought for the Indians against the representatives of our civilization who invaded their territory with superior arms. For these efforts he was loved by the persecuted, becoming one of them, and with them he suffered the hate of the colonizer for whom "Indians are not people.""
(Herbert Baldus, Curt Nimuendajú, 1883-1945)

"Quando o sol, cerca de meia hora depois, nasceu atrás da floresta, iluminava um novo companheiro da tribo dos Guaranis que, apesar da sua pele clara, compartilhou com eles lealmente no curso de dois anos a miséria de um povo agonizante."
(Curt Nimuendajú, Nimongaraí)

"[…] ao contrário dos etnólogos de formação acadêmica que, geralmente, só procuravam estudar as peculiaridades das culturas indígenas […], Nimuendajú interessava-se vivamente pelos destinos das populações tribais."
(Expedito Arnaud, Curt Nimuendajú: aspectos de sua vida e de sua obra, 1983)

"Curt Nimuendaju aliou as duas qualificações. Foi pesquisador e artesão. Ambos estão perfeitamente refletidos na cartografia do Mapa Etno-histórico."
(Rodolpho Pinto Barbosa, A Cartografia do Mapa Etno-histórico de Curt Nimuendaju, 1981)

"Curt Nimuendajú é o pai fundador da Etnologia Brasileira, com obra mais alentada e relevante que a de todos nós que o sucedemos."
(Darcy Ribeiro, Introdução a O fim da tribo Oti (Nimuendajú 1993))

""Alemão por nascimento, brasileiro por adoção, índio por identidade'', na expressão de Emmerich e Leite, Curt Nimuendaju ostenta também o título de humanista e sábio que começa a ser revelado a um público mais amplo que o estreito círculo dos estudiosos da antropologia."
(Berta Ribeiro, O mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju, 1982)

"Curt Nimuendajú constituiu-se em uma das poucas entidades mitológicas da etnologia brasileira."
(Roque Laraia, A morte e as mortes de Curt Nimuendajú)

Galeria:

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